A queda de Wall Street na quinta-feira (05) se espalhou pelos mercados globais nesta sexta-feira (06), com perdas nas bolsas da Europa e da Ásia. O movimento reflete as dúvidas sobre a rentabilidade dos investimentos bilionários em IA e o temor de que a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos resulte em regras mais rígidas para o setor.
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Na Europa, os principais índices operavam em baixa generalizada. Perto das 9h15, o STOXX 600, que reúne empresas de 17 países europeus, recuava 1,80%. O DAX, da Alemanha, caía 2,35%; o CAC-40, da França, perdia 1,79%; e o FTSE 100, do Reino Unido, registrava baixa de 2,29%.
Na Ásia, as bolsas fecharam em forte queda. Japão e Coreia do Sul registraram alguns dos maiores recuos, próximos de 6%. O índice sul-coreano Kospi chegou a despencar 8,8% durante o pregão, acionando o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de volatilidade extrema. Os negócios ficaram suspensos por 20 minutos. Após a retomada, o índice recuperou parte das perdas e fechou em queda de 6,02%.
Na China e em Hong Kong, as bolsas recuperaram parte das perdas ao longo do pregão, impulsionadas pela procura por ações desvalorizadas e pelas medidas de apoio ao mercado adotadas por Pequim. Entre as empresas chinesas de IA, a Zhongji Innolight caiu 9,2%, enquanto a Eoptolink Technology recuou 7,3%.
Na quinta (5), o S&P 500, índice que reúne 500 das principais empresas americanas, registrou seu pior desempenho desde abril de 2025, quando o presidente Donald Trump anunciou o “tarifaço”.
As perdas foram lideradas pelas empresas de tecnologia. As chamadas “Sete Magníficas”, grupo que reúne algumas das maiores companhias do setor nos Estados Unidos, como Nvidia, Meta, Alphabet e Microsoft, perderam aproximadamente US$ 800 bilhões (R$ 4,4 trilhões) em valor de mercado, montante superior ao Produto Interno Bruto (PIB) da Suécia.
A preocupação dos investidores também envolve os custos de construção dos data centers, instalações que concentram servidores e equipamentos necessários ao funcionamento dos sistemas de IA. O receio é que a expansão desses projetos perca força e que a avaliação elevada das empresas do setor dê lugar a uma correção mais intensa nas ações.
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato ampliou a incerteza sobre o futuro do setor nos Estados Unidos. Investidores temem que o resultado abra caminho para maior fiscalização e restrições à construção de data centers, devido ao elevado consumo de energia dessas instalações.
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