O presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Bolívia, Romer Saucedo, deixou o país após a emissão de um mandado de prisão contra ele por tráfico de drogas e organização criminosa. Saucedo afirma ser alvo de perseguição política do governo de Rodrigo Paz.
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As autoridades bolivianas suspeitam que o magistrado esteja no Brasil e anunciaram que vão acionar a Interpol para localizá-lo.
O mandado foi expedido na terça (03) pelos promotores Daniel Perales e Edwin Sarmiento. A ordem cita os crimes de tráfico de substâncias controladas e organização criminosa, com base no artigo 48 da Lei 1008 e no artigo 132 bis do Código Penal boliviano. O documento aponta ainda indícios de autoria e riscos de fuga e obstrução da Justiça.
Segundo o procurador-geral interino, José Armando Urioste, Saucedo retornou à Bolívia na terça-feira, após uma viagem ao exterior, mas deixou o território por via terrestre. A investigação corre sob sigilo e conta com a colaboração de testemunhas protegidas.
Na quinta-feira (05), autoridades realizaram quatro operações em Santa Cruz, prenderam familiares do magistrado e apreenderam materiais relacionados à investigação.
Em publicação na rede social X, o magistrado justificou sua saída alegando temer pela própria segurança e pela de sua família. Também acusou integrantes do poder político de preparar provas falsas para desacreditá-lo e atingir outros líderes.
O presidente Rodrigo Paz negou qualquer perseguição política. Durante visita à Espanha para a Cúpula Ibero-Americana, classificou a fuga como uma “notícia penosa” e relacionou o episódio às investigações sobre o sistema judicial boliviano.
O ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, afirmou que Saucedo “ficou nervoso” com o avanço das apurações. O governo também relacionou o caso à investigação contra o ex-procurador-geral Roger Mariaca, preso em outubro sob suspeita de liderar uma organização criminosa que protegia o narcotráfico.
Diante da ausência de Saucedo, a Sala Plena do TSJ concedeu seis dias para que ele retome suas funções em Sucre. Caso não se apresente, o tribunal poderá adotar medidas legais por abandono do cargo. A decana Rosmery Ruiz assumiu a presidência interina.
Aos 38 anos, Saucedo é advogado formado em Santa Cruz e foi eleito magistrado por voto popular em 2024, com mais de 700 mil votos. Ele assumiu a presidência do tribunal em janeiro de 2025. Em 15 de outubro deste ano, apresentou renúncia ao cargo, com efeitos previstos para janeiro de 2027.
Durante sua gestão, determinou a revisão de processos contra líderes opositores do Movimento ao Socialismo. A decisão levou à libertação progressiva de Luis Fernando Camacho, Marco Antonio Pumari e Jeanine Áñez.
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