Lula leva mercado a prever inflação de 6,1% em 2027

Após a reeleição de Lula (PT), o mercado financeiro reduziu as projeções de crescimento do PIB e elevou as estimativas de inflação para 2027, segundo a CNN Brasil. O Itaú, por exemplo, passou a projetar IPCA de 6,1% e crescimento econômico de apenas 0,5% no próximo ano. Antes, o banco estimava inflação de 4,6% e expansão do PIB de 1,2%.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Consultado pela emissora, o Banco Daycoval também elevou sua projeção de inflação, de 4,2% para 4,7%. A Lifetime Investimentos trabalha com uma taxa acima de 5%. Já o ASA, conglomerado financeiro e de investimentos fundado em 2019 por Alberto Safra, prevê crescimento próximo de zero para o PIB e não descarta recessão.

A revisão das estimativas considera cinco fatores de pressão sobre os preços: alta do dólar, fim da escala 6×1, efeitos do El Niño sobre os alimentos, implementação da reforma tributária e aumento dos combustíveis.

Na semana seguinte à eleição, o dólar subiu 9,17%, enquanto o Ibovespa caiu 18%. O mercado também acompanha a possibilidade de manutenção de uma política fiscal expansionista no governo Lula e a escolha do próximo ministro da Fazenda.

O Itaú reduziu de 1,2% para 0,5% sua previsão de crescimento do PIB em 2027. Segundo o banco, a manutenção dos juros em patamares elevados por mais tempo deve limitar o consumo, os investimentos e o crédito.

“A revisão reflete a incorporação de uma taxa de juros mais elevada e uma dinâmica da atividade mais fraca ao longo do próximo ano. A necessidade de manutenção de condições monetárias restritivas por mais tempo deve intensificar os efeitos cumulativos do aperto monetário sobre o consumo, o investimento e as condições de crédito”, escreveu à CNN Diogo Guillen, economista-chefe da instituição.

O banco também alertou para os efeitos da inflação sobre a renda e o consumo das famílias: “Esse quadro tende a ser agravado pela combinação de atividade mais fraca e maior pressão inflacionária, que limita o crescimento da renda real e do consumo, com impacto particularmente relevante sobre aqueles de menor renda. […] Nesse contexto, esperamos baixo dinamismo da demanda doméstica em 2027 e balanço de riscos para o crescimento ainda assimétrico para baixo”.

O ASA projeta crescimento próximo de zero em 2027 e aponta risco de recessão, a depender da evolução das expectativas do mercado.

A Lifetime Investimentos pretende elevar sua projeção de inflação para acima de 5%. A economista-chefe da instituição, Marcela Kawauti, afirmou à CNN que ainda há incertezas sobre a equipe econômica e o orçamento do próximo ano.

“A gente não está divulgando a projeção certinha agora, porque tem muita coisa para ser resolvida, muita pergunta sem resposta em relação à equipe econômica, em relação ao orçamento do ano que vem, que não está aprovado e eles certamente vão precisar arrumar para abarcar a parte do ‘pacote de bondades’”, pondera.

A Warren Brasil mantém a projeção de IPCA de 5,2% para 2027. Andréa Angelo, estrategista de inflação da gestora, estima que os efeitos da CBS podem acrescentar 0,3 ponto percentual ao índice. Em um cenário de aumento dos gastos públicos, a inflação pode superar 5,5%.

A mediana das projeções do mercado no boletim Focus ainda aponta IPCA de 4,34% para 2027, mas a estimativa vem sendo elevada nas últimas semanas.

O Banco Pine também avalia revisar sua projeção, atualmente em 4,5%, diante dos possíveis impactos do El Niño e dos combustíveis. Entre os riscos monitorados pelos analistas estão a alta do petróleo, a retomada de impostos federais sobre combustíveis, os custos associados ao fim da escala 6×1 e os efeitos da reforma tributária. A alíquota da CBS sugerida pelo Tribunal de Contas da União (TCU) também ficou acima das expectativas.

Para Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS GWM, a pressão pode atingir outros setores da economia. “O risco é que essas altas não se limitem aos preços diretamente afetados e se propaguem aos componentes mais persistentes da inflação”, afirma.

A economista também aponta a necessidade de medidas para controlar as contas públicas: “Sem medidas fiscais capazes de recuperar a confiança na trajetória da dívida, as expectativas poderão voltar a subir, influenciando reajustes de preços e salários e reforçando a própria dinâmica inflacionária”.

Sua opinião sobre esta matéria importa.



Fontes – Link Original

Classificado como 5 de 5

Compartilhe nas suas Redes Sociais

Facebook
Twitter
WhatsApp

Parceiros TV Florida