A Justiça italiana adiou para 24 de novembro a audiência que vai reavaliar o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil. A decisão foi tomada nesta terça-feira (27), após a defesa solicitar mais tempo para analisar documentos enviados pelas autoridades brasileiras sobre as condições de encarceramento e o atendimento médico previsto para a parlamentar cassada.
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A sessão ocorreu na Corte de Apelação de Roma e foi encerrada cerca de 20 minutos após o início pela juíza Cristina Capranica, presidente da Primeira Seção Penal. O material apresentado pelo Brasil busca responder a questionamentos anteriores da Justiça italiana sobre as condições que Zambelli encontraria na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, caso seja extraditada.
O Ministério Público italiano avaliou que as informações encaminhadas pelas autoridades brasileiras atendiam às solicitações da Corte. A Advocacia-Geral da União (AGU), responsável pela representação do Brasil no processo, informou que os documentos foram enviados por via diplomática.
A defesa, por sua vez, apresentou novos documentos relacionados ao estado de saúde da ex-deputada e alegou precisar de mais tempo para examinar o material brasileiro. Zambelli não compareceu à audiência. Segundo informações divulgadas por seu escritório de advocacia, a presença não era obrigatória e um de seus defensores a aconselhou a evitar o deslocamento para prevenir um possível mal-estar.
Justiça exige garantias sobre atendimento médico
Em julho, a Justiça italiana anulou a decisão anterior que havia autorizado a extradição e determinou que o pedido fosse novamente analisado. Embora tenha rejeitado a alegação de perseguição política apresentada pela defesa, a Corte solicitou informações adicionais sobre as condições de detenção e a assistência médica que seria oferecida à ex-deputada no Brasil.
Zambelli afirma sofrer de fibromialgia e episódios de desmaio. A defesa sustenta que as condições do sistema prisional brasileiro representariam um risco à saúde da ex-parlamentar.
Em manifestação sobre o adiamento, o advogado Eduardo Maurício argumentou que a falta de acesso prévio aos documentos enviados pelo Brasil prejudicaria o exercício da ampla defesa e do contraditório. O defensor também declarou que a extradição equivaleria a expor Zambelli a risco de morte, argumento apresentado pela defesa no processo.
Condenação por perseguição armada
O pedido de extradição está relacionado à condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso envolve o episódio de outubro de 2022, quando Zambelli perseguiu um homem armada pelas ruas de São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais.
A ex-deputada também foi condenada pelo STF a dez anos de prisão por participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2022, para inserir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes.
Em maio deste ano, a Justiça italiana rejeitou definitivamente um pedido de extradição relacionado a esse segundo processo. Na ocasião, a Corte de Cassação apontou dúvidas sobre a imparcialidade do julgamento no Brasil. A decisão levou à libertação de Zambelli, que estava presa na Itália desde julho de 2025.
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