No “Estadão estamos em casa, temos crédito lá”, disse sócio a Daniel Vorcaro – Paulo Figueiredo

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Mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o empresário Flávio Carneiro revelam como era a relação do ex-banqueiro com o Estadão

Conversa de Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, com o empresário Flávio Carneiro, que era sócio do banqueiro em operações de mídia, revela como se dava a relação do grupo com o Estadão. Em um dos diálogos, Carneiro tranquiliza Vorcaro: no “Estadão estamos em casa, temos crédito lá”.

Antes, Vorcaro escreveu para Flávio Carneiro afirmando: “Nos precisamos aumentar patrocinio folha e estadao [sic]”. A conversa ocorreu, de acordo com o registro, no dia 15 de maio de 2024.

A preocupação de Vorcaro e a iniciativa de aumentar os valores aplicados no Estadão e na Folha de S.Paulo surgiram após uma repórter procurar um executivo do Banco Master.

Confira a conversa:

Em outro trecho da conversa, no dia 21 de maio, Carneiro afirma que quem estaria no comando do Estadão seria o empresário Rubens Ometto, fundador e presidente do conselho de administração do Grupo Cosan.

Vorcaro envia para Flávio Carneiro um link que trata da operação de emissão de debêntures promovida pelo Estadão e questiona: “Como ficamos fora disso”. O empresário responde: “Você tá sabendo disso desde o dia 1 desse projeto. O Rubens ometo que tá por trás de tudo isso. Vi acontecer na sala da casa do Geraldo [Samor, fundador do Brazil Journal] . Eles iam quebrar e o Rubens é inimigo declarado do Frias”. Frias é sobrenome da família que controla a Folha de S.Paulo.

O diálogo segue. Vorcaro reafirma que não sabia e lamenta: “Agora já foi. Oportunidade ímpar. De blindar lá”. Flávio Carneiro responde: “Não tem o que entrar. Ele fez tudo sozinho. Tá há 6 meses montando isso para mascarar mas é tudo Ometo”.

Flávio Carneiro continua: “E você entra na hora que você quiser. Quem coordena isso tudo é o Geraldo e o Marcelo [executivo do grupo Cosan]”. E completa: “Você tá mais em casa do que você imagina ali”.

Veja:

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Exatamente nos meses de março e maio de 2024, o Estadão promoveu uma operação milionária de emissão de debêntures. À época o jornal esteve a ponto de quebrar, com rumores de que pediria recuperação judicial.

Como revelou o Metrópoles, a operação deu sobrevida ao grupo de comunicação, que acumulava uma dívida de R$ 159 milhões, e transformou bancos e grandes empresários — como Ometto — em credores do Estadão. Em troca, os novos investidores ganharam assentos no conselho de administração do jornal centenário e passaram a ter influência editorial no veículo.

A operação das debêntures se perfectibilizou da seguinte forma: uma primeira emissão de R$ 45 milhões (em março de 2024) e outra de R$ 97,5 milhões (em maio de 2024). Na primeira rodada, Itaú, Bradesco e Santander investiram R$ 15 milhões cada. O Estadão só precisa começar a pagar esses empréstimos em 2034, prazo que pode ser prorrogado até 2044.

A segunda rodada foi capitaneada, como o Metrópoles revelou em março deste ano, justamente, por Rubens Ometto, que colocou R$ 15 milhões no jornal. Outras oito empresas participaram da operação. Confira:

Cosan: R$ 15 milhões
Hapvida: 15 milhões
Votorantim: R$ 15 milhões
Ultra: R$ 7,5 milhões
Unipar: R$ 7,5 milhões
Pátria Investimentos: R$ 7,5 milhões
JHSF: R$ 7,5 milhões
Galápagos Capital: R$ 7,5 milhões
Santalice Administração Ltda. (Cutrale): R$ 15 milhões

Após o aporte, um representante dos investidores ingressou no conselho de administração do Estadão. Marcos Bologna é sócio e CEO da Galápagos — gestora do fundo debenturista que investiu R$ 7,5 milhões no jornal — ao lado de Carlos Fonseca, ex-sócio de André Esteves no BTG.

Crédito Metrópoles

Fontes – Link Original

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