Mauro Vieira acusa governo Trump de interferir na eleição brasileira

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que representantes do governo Donald Trump participaram da disputa eleitoral brasileira. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada nesta quarta-feira (21), o chanceler declarou que integrantes da administração norte-americana “tomaram parte” na eleição.

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Questionado sobre uma possível interferência dos Estados Unidos no pleito, Vieira respondeu: “Olha, tomaram parte, tomaram um lado, fizeram fotografias. Hoje a imprensa está cheia de artigos dizendo que foram manipulados algoritmos em mensagens”.

O ministro afirmou, porém, que cabe aos brasileiros avaliar nas urnas se houve interferência estrangeira. A disputa presidencial é entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

“O mais importante é a defesa do sistema brasileiro, é o povo brasileiro. Os brasileiros é que vão mostrar o que querem fazer nas urnas, que modelo estão procurando o que consideram que é interferência, o que é intromissão e o que não é”, declarou.

Chanceler critica proposta de aproximação com os EUA

Vieira também criticou a proposta de Flávio Bolsonaro de disponibilizar uma equipe de transição ao governo norte-americano caso seja eleito presidente. A iniciativa foi mencionada em uma carta enviada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em resposta a uma mensagem do senador.

No documento, Rubio manifestou otimismo em relação às eleições de outubro e agradeceu a oferta de Flávio de colocar uma equipe à disposição de Washington em caso de vitória.

“ Saiu publicado, com nome e sobrenome, na imprensa o que fariam no caso de futura vitória, de estabelecer um comitê para coordenar as posições com os EUA. Eu acho isso péssimo”, afirmou o chanceler.

Vieira argumentou que equipes de transição são normalmente formadas para transferir informações entre governos que deixam o poder e seus sucessores, e questionou a participação de um país estrangeiro nesse processo.

“Eu nunca vi isso. Na história das relações diplomáticas, em meus 50 anos de carreira, nenhum país fez esse tipo de coisa. Você faz [transição] entre o governo que deixa e o governo que assume. Você cria uma equipe de transição para que seja passado. Isso é normal em todas as democracias. Agora, com um país estrangeiro, para quê? Para entregar antes do tempo, para se submeter? Isso eu acho que é um péssimo sinal”, acrescentou.

Vieira rebate declaração de Eduardo Bolsonaro

O chanceler também comentou a declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que afirmou que uma eventual vitória do irmão seria seguida por uma “faxina” no Itamaraty.

“É péssimo, né? Primeiro, porque não é a forma de se atuar. Em uma democracia, você não ameaça. Você dialoga, conversa, negocia”, disse Vieira.

Questionado sobre por que evita responder diretamente às declarações de Eduardo, o ministro afirmou: “Eu tenho mais o que fazer. Eu não o conheço, não sei o que ele fala. Um sujeito que pede terra arrasada, que pede tarifa e tudo mais. A população brasileira tem de decidir onde está o interesse brasileiro: querem fazer a transição e entregar tudo antes [aos EUA]?”.



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