O neto de Lula (PT), Thiago Trindade Lula da Silva, recebeu R$ 182 mil entre abril e outubro de 2026 por meio de sua empresa, a T L Innovations Soluções Ltda., contratada pela Bertholdo Consult, do advogado e lobista Roberto Bertholdo, condenado por participar da interceptação ilegal dos telefones do então juiz Sergio Moro.
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As informações são do site A Investigação, do jornalista David Ágape, que consultou notas fiscais emitidas pelas duas empresas.
Os documentos mostram seis cobranças, com valores próximos de R$ 30 mil mensais. A descrição dos serviços mudou de publicidade para treinamento a partir de agosto, mas as notas continuaram apresentando apenas a indicação genérica “Serviços prestados”, sem detalhar as atividades realizadas.
Segundo fontes ouvidas por A Investigação, a Bertholdo Consult é o único cliente da empresa de Thiago ao longo de 2026. Os documentos fiscais não identificam campanhas publicitárias, anunciantes, veículos de divulgação, cursos, conteúdos, carga horária ou participantes que permitam verificar a natureza dos serviços contratados.
As três primeiras notas fiscais, emitidas entre abril e julho, somaram R$ 93 mil. A cobrança inicial foi de R$ 33 mil, em 17 de abril, seguida por duas notas de R$ 30 mil, referentes a junho e julho. Entre agosto e outubro, as cobranças foram classificadas como instrução e treinamento e totalizaram R$ 89 mil: duas notas de R$ 30 mil e uma de R$ 29 mil.
A T L Innovations foi aberta em 6 de dezembro de 2024, com capital social de R$ 50 mil. Thiago é seu único sócio-administrador. O cadastro da empresa inclui atividades de desenvolvimento de software, publicidade, produção audiovisual, consultoria em tecnologia e treinamento profissional.
A Bertholdo Consult foi aberta em março de 2023, e Roberto Bertholdo consta como sócio desde setembro daquele ano. A empresa atua em consultoria de gestão empresarial, intermediação de negócios e cobrança.
Bertholdo também é advogado de Kalil Bittar, sócio-administrador da HarmonyBR Desenvolvimento de Sistemas Ltda. Thiago afirma ter desenvolvido pela empresa o Amazon Vision, aplicativo lançado em 15 de agosto de 2024 para o Apple Vision Pro. O produto oferece uma experiência imersiva sobre a Amazônia com fotografias de Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial de Lula. A ficha do aplicativo na App Store identifica a HarmonyBR como responsável.
Kalil é investigado com Carla Ariane Trindade, mãe de Thiago, em apurações sobre contratos de material escolar e acesso a recursos da Educação. Em novembro de 2025, os dois foram alvos de buscas na Operação Coffee Break, que apurou suspeitas de corrupção em contratos no interior de São Paulo.
Segundo a Polícia Federal, Kalil e Carla seriam interlocutores de André Gonçalves Mariano em tratativas para influenciar a liberação de recursos destinados a prefeituras que contratavam a Life, fornecedora de livros e kits de robótica. A defesa de Kalil negou a intermediação e afirmou que os valores recebidos estavam relacionados ao desenvolvimento de produtos tecnológicos.
Em janeiro de 2026, o UOL informou que Kalil e Carla estiveram ao menos dez vezes no Palácio do Planalto entre 2023 e 2025. Os registros de entrada indicavam as visitas, mas os nomes não apareciam nas agendas oficiais dos compromissos.
Em 19 de dezembro de 2023, Kalil entrou no Planalto acompanhado de Mariano e de Fernando Gomes de Moraes, então secretário de Educação de Hortolândia (SP). Dois dias depois, Mariano transferiu R$ 30 mil a Kalil, segundo outra reportagem do UOL. A Polícia Federal encontrou na agenda do empresário o nome de Kalil e uma anotação sobre restabelecer o pagamento na data da visita.
Ao UOL, Bertholdo afirmou que seu cliente trabalhou exclusivamente no desenvolvimento de aplicativos de design gráfico e conteúdos de comunicação. O Planalto declarou que receber representantes do setor privado e de outros entes públicos faz parte das atribuições institucionais dos servidores.
Em março de 2026, a Folha de S.Paulo informou que a investigação havia sido dividida em 25 inquéritos. Na ocasião, a primeira denúncia do Ministério Público Federal não incluía Kalil nem Carla. Bertholdo voltou a negar que seu cliente tivesse atuado para aproximar a Life de entidades públicas.
