A reforma das Forças Armadas de Eduardo e Degaut

O ALive desta segunda-feira (07) recebeu o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o analista de segurança internacional Marcos Degaut. Um dos temas do programa foi a reforma e reestruturação das Forças Armadas em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). Ambos estão elaborando um projeto nesse sentido para o senador.

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Na visão do apresentador Claudio Dantas, as Forças, atualmente, “não sabem o seu propósito”, “não debatem mais doutrina” e estão “subordinadas a um poder político deletério”, de Lula (PT) e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Degaut abriu sua fala relembrando o lema do ex-presidente dos EUA Theodore Roosevelt: ‘speak softly and carry a big stick’, ou seja, em português, “fale de maneira suave, mas carregue um porrete”: “Significa que uma boa diplomacia, uma boa política externa, não prescinde de um poder militar forte, ou seja, não existe o chamado ‘soft power’ sem um ‘hard power’ por trás”.

“Todos os países que têm uma diplomacia eficiente, têm também um poder militar forte para escutar”, afirmou Degaut. “No caso do Brasil, desde a redemocratização, se estabeleceu aí no meio do pensamento político tradicional, de que uma forma de consolidar a democracia, era por meio do enfraquecimento do poder militar”.

De acordo com o analista, isso acabou levando “ao atual estado de sucateamento das Forças Armadas” e que, “paralelamente”, “se vendia a narrativa, totalmente furada, de que o Brasil não tem inimigos”. Com essa precariedade atual, é preciso resgatar o “papel” e a “legitimidade” das Forças.

Degaut defendeu que as Forças Armadas “precisam ter todos os equipamentos para cumprir a sua missão constitucional, a sua missão institucional”, mas que elas precisam passar por uma atualização no futuro governo Flávio: “Atualização de missões, atualização de métodos, atualização de doutrina, o resgate da capacidade de ler o cenário internacional. É preciso que as Forças Armadas possam entender isso. Precisamos resgatar os mecanismos de liderança das Forças Armadas”.

“Precisamos também ter claro que meio militar e meio político não se comunicam, não podem se comunicar, não pode haver essa interferência mútua. O militar tem uma missão constitucional e institucional. O setor político tem outro fundamento, outros fundamentos”, continuou o analista.

Segundo ele, o projeto de “transformação” das Forças Armadas brasileiras vai causar uma inovação “qualitativa” e “positiva” para que “nós tenhamos forças armadas mais bem aparelhadas, com um novo sentido de missão, com novas missões, com unidade de propósito e com legitimidade frente à população, que vai ser um processo extremamente difícil de resgatar”.

“Não vai ser do dia para a noite, mas é necessário. Nenhum país pode prescindir de forças armadas”, completou Degaut.

Eduardo, na mesma linha do analista, disse que um país só será respeitado se “realmente tiver esse poder”: “Ninguém vai considerar o Brasil um jogador, um player da primeira divisão ou um líder regional, que é a nossa vocação, já que o Brasil representa metade em termos de território, população e PIB da América do Sul. Ninguém vai considerar respeitar o Brasil se eles não tiver as Forças Armadas fortes”.

“Normalmente, a gente só vai precisar das forças armadas se elas ficarem fracas, porque aí sim a gente vai ter algum outro país querendo abusar de nós. E para que a gente não tenha que recorrer a vizinhos para nos ajudar, é necessário sim que a gente tenha uma base industrial de defesa e umas Forças Armadas fortes”, defendeu.

“E isso também pode ser lucrativo, porque tecnologias militares normalmente são uma dificuldade muito grande de um país fazer essa transferência com outros. Então é importante que a gente consiga fazer o desenvolvimento dessa base industrial de defesa dentro do país”, continuou Eduardo.

“Se o Brasil realmente quiser ser um líder regional, é necessário ter umas Forças Armadas bem equipadas, modernas e sim, uma visão institucional alinhada, sabendo para que ela quer, o que ela quer no cenário mundial, é preciso dar, como Degaut falou, dar essa do nada, essa que nada dentro das forças”, completou o ex-deputado.

Foto: Reprodução/YouTube @ClaudioDantasOficial

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