O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, deu prazo de 24 horas para que a Meta apresente um relatório técnico sobre o canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A decisão atende a um pedido da campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e exige informações sobre possíveis ações coordenadas, alcance das publicações e eventual amplificação artificial de conteúdos. O grupo reúne milhões de participantes e está no centro de uma disputa na Justiça Eleitoral a três dias do segundo turno, marcado para domingo (25).
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A empresa, responsável pelo WhatsApp, deverá informar se houve sincronização de atividades e replicação de mensagens entre contas, canais e plataformas. Nunes Marques também cobrou dados sobre padrões de engajamento, compartilhamentos e distribuição de conteúdos, incluindo mensagens encaminhadas e publicações excluídas ou modificadas. O levantamento deverá apontar ainda a existência de publicidade paga, impulsionamento ou distribuição patrocinada.
A determinação exige que a Meta explique os critérios técnicos usados para diferenciar uma mobilização legítima de um comportamento coordenado potencialmente irregular. A empresa também deverá demonstrar quais medidas adotou para cumprir o plano de conformidade firmado com a Justiça Eleitoral, destinado a prevenir e reduzir riscos à integridade do processo eleitoral.
O Google também foi acionado para esclarecer se identificou amplificação coordenada de termos e hashtags relacionados ao caso entre 18 e 20 de outubro, inclusive em buscas em alta, sugestões de pesquisa e assuntos do momento. O objetivo, segundo a decisão, é verificar se as medidas informadas pelas plataformas à Justiça Eleitoral correspondem ao funcionamento efetivo dos mecanismos questionados.
A ofensiva judicial ocorre no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a integrar o canal como administrador, conforme anunciou Janones. Os participantes receberam uma mensagem atribuída ao petista, com a palavra “cheguei”, e um vídeo em que ele convocou os integrantes para uma transmissão ao vivo com o deputado, prevista para as 19h desta quinta-feira (22).
“Vocês viram que meu general está bravo, tá convocando todo mundo, e eu vou chegar exatamente às 19 horas. E eu quero todo o exército do Lula pronto, porque a batalha vai ser dura e nós vamos derrotar os adversários”, declarou o presidente. Até a publicação das informações que embasam esta reportagem, a campanha petista não havia confirmado se a mensagem atribuída a Lula foi enviada diretamente por ele.
A disputa sobre o canal começou após a campanha de Flávio Bolsonaro pedir sua suspensão, alegando divulgação de informações falsas. Em 11 de outubro, Nunes Marques determinou que a ferramenta fosse retirada do ar, mas o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a ordem e restabeleceu o acesso. Uma análise técnica do TSE não identificou conteúdo falso entre as publicações disponíveis que foram examinadas.
Em 13 de outubro, Nunes Marques condicionou a continuidade do canal ao registro formal de seu endereço eletrônico na Justiça Eleitoral. A campanha de Lula cumpriu a exigência, mas afirmou que a medida tinha como objetivo atender à determinação judicial e não significava assumir a administração da ferramenta. Após o canal voltar a sair do ar, o presidente do TSE ordenou, em 14 de outubro, o restabelecimento integral do serviço, incluindo a publicação de novas mensagens e a entrada de participantes.
