Os bancos brasileiros registraram US$ 45,8 bilhões em lucros em 2025, maior resultado da América Latina e superior à soma dos ganhos obtidos por instituições financeiras de outros 15 países da região. Os dados são da Federação Latino-americana de Bancos (Felaban) e refletem um ano de forte rentabilidade para o setor durante o governo do presidente Lula (PT).
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
O levantamento aponta que o lucro das instituições financeiras brasileiras cresceu 34% em relação a 2024, quando somou US$ 34,1 bilhões. O desempenho colocou o Brasil na liderança do ranking latino-americano, à frente de México (US$ 17 bilhões), Chile (US$ 5,8 bilhões), Peru (US$ 4,2 bilhões) e Colômbia (US$ 3,8 bilhões). Juntos, Brasil, México e Chile concentraram cerca de 70% dos lucros bancários da região no ano passado.
Além do volume de ganhos, a rentabilidade dos bancos brasileiros permaneceu entre as mais elevadas da América Latina. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 16,7% em 2025, o maior patamar desde a pandemia, indicador que mede a capacidade das instituições de gerar lucro em relação ao capital investido pelos acionistas.
Entre os fatores apontados para explicar o desempenho está o ambiente de juros elevados. Durante boa parte de 2025, a taxa Selic permaneceu em níveis elevados, influenciando o custo das operações de crédito e as receitas financeiras das instituições. Outro aspecto citado por analistas é a elevada concentração do mercado bancário brasileiro, onde os maiores bancos concentram aproximadamente dois terços das operações do setor.
A rentabilidade dos bancos latino-americanos também chamou a atenção de especialistas internacionais. Jonathan Fortun, economista do Instituto Internacional de Finanças (IIF), estimou que a margem de lucro líquido dos bancos da América Latina ficou acima da média registrada por grandes instituições financeiras de outros mercados emergentes, excluindo a China.
O desempenho do setor foi destacado pelo próprio presidente Lula em discurso realizado no Instituto Butantan, em fevereiro deste ano. Na ocasião, o petista afirmou que os resultados do sistema financeiro refletem o ambiente econômico do país.
“O sistema financeiro nunca ganhou tanto dinheiro como ganha no nosso governo. Os empresários nunca ganharam tanto dinheiro como ganham no nosso governo”, declarou.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), por sua vez, rejeita a interpretação de que os juros elevados favorecem diretamente as instituições financeiras. Segundo a entidade, taxas mais altas aumentam o custo de captação, pressionam a inadimplência e levam os bancos a adotarem maior cautela na concessão de crédito, o que limita o crescimento das operações e da economia.
Enquanto os lucros avançam, o setor continua reduzindo sua estrutura física. Dados do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região apontam que mais de 31 mil postos de trabalho foram fechados entre 2020 e abril de 2026. A entidade também registra uma redução de cerca de 37% no número de agências bancárias na última década, movimento atribuído ao avanço da digitalização e às estratégias de redução de custos das instituições.