Negócio entre BTG e primo de Vorcaro chama atenção de Mendonça

R$ 132,9 mi: Negócio entre BTG e primo de Vorcaro chama atenção de Mendonça

Uma operação financeira de R$ 132,9 milhões envolvendo o BTG Pactual, de André Esteves, e uma empresa criada semanas antes por Felipe Vorcaro, primo do dono do Banco Master, entrou no radar das investigações da Polícia Federal (PF) e foi citada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), como um caso de “êxito atípico”.

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Segundo o Valor Econômico, a transação foi realizada em abril deste ano e envolveu a emissão de notas comerciais escriturais pela Infrasolar, empresa constituída por Felipe em março de 2026. O crédito teria sido utilizado para substituir uma dívida antiga da BRGD, companhia ligada ao empresário, que já mantinha obrigações financeiras junto ao BTG.

Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, dono do Master, é apontado pela PF como operador financeiro do banqueiro no esquema de fraudes e lavagem de dinheiro investigado na Operação Compliance Zero. Atualmente, ele está preso por determinação do Supremo.

A operação chamou a atenção, de acordo com o Valor, de órgãos de controle, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), e passou a ser analisada também no contexto das investigações conduzidas pela PF.

Os detalhes da transação foram mencionados por Mendonça na decisão que decretou a prisão preventiva de Felipe em 16 de maio. “Apesar do capital social declarado de apenas R$ 1.000,00, a holding logrou êxito atípico na realização de operação financeira superior a R$ 132 milhões, em 13/04/2026”, afirmou o magistrado.

Na avaliação do ministro do Supremo, a operação é um dos indícios de que Felipe teria continuado a movimentar a estrutura empresarial investigada pelas autoridades. “Pelo que se apurou até o momento, os recursos captados por meio dessas notas comerciais teriam sido utilizados para robustecer a engrenagem delitiva compreendida em um sistema complexo de fluxo financeiro, por meio do qual há envolvimento de fundos de investimento e empresas ligadas ao grupo investigado”, afirmou.

As investigações sobre a operação ainda estão em fase inicial. O BTG Pactual não é alvo da Compliance Zero nem figura como investigado no caso.

Segundo o Valor, o crédito foi concedido à Infrasolar, empresa criada em março deste ano com capital social de R$ 1 mil, apenas 18 dias antes da realização da operação. A companhia passou a assumir uma dívida anteriormente vinculada à BRGD, ambas atuantes no setor de energia solar.

Ainda de acordo com o jornal, a BRGD apareceu nas investigações da PF como uma das empresas utilizadas para o repasse de uma suposta “mesada” de R$ 300 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). A decisão de Mendonça não faz qualquer menção a eventual participação ou conhecimento do BTG sobre as atividades atribuídas à empresa.

A operação representou uma tentativa do BTG, segundo o Valor, de reestruturar um crédito que já apresentava dificuldades de recuperação. O banco de Esteves teria substituído a dívida da BRGD por uma nova obrigação assumida pela Infrasolar, que integra o grupo ForGreen e possui uma estrutura empresarial mais ampla.

Segundo a reportagem, o contrato previa que a Infrasolar quitasse os R$ 132,9 milhões junto ao BTG em um prazo de um ano, acrescidos de correção monetária.

A ForGreen reúne cerca de 50 projetos de geração de energia solar, número superior ao da BRGD, que possuía 14 empreendimentos do mesmo segmento. Todas as empresas têm sede em Minas Gerais. De acordo com o Valor, a avaliação do BTG era que a nova estrutura empresarial teria melhores condições de gerar recursos, vender ativos e quitar a dívida em prazo mais curto.

A origem do débito remonta a operações realizadas anos antes. Segundo o jornal, a BRGD era inicialmente devedora de outra instituição financeira e procurou o BTG em busca de crédito para reestruturar seus passivos. O banco concedeu os recursos, e a dívida foi renegociada diversas vezes ao longo dos anos, à medida que a companhia buscava expandir suas operações.

Com a deterioração do mercado de energias renováveis e as dificuldades enfrentadas pelo grupo empresarial ligado a Felipe, a empresa passou a enfrentar obstáculos para honrar seus compromissos financeiros. A dívida acabou permanecendo em aberto.

Após a prisão de Felipe e o avanço da Compliance Zero, o BTG passou a avaliar formas de recuperar os recursos: uma das alternativas em discussão é a execução judicial das garantias apresentadas pelas empresas e pessoas físicas envolvidas na operação de R$ 132,9 milhões.

Em nota divulgada em 20 de maio, a ForGreen afirmou que nenhuma das empresas do grupo possui “qualquer envolvimento” com os fatos investigados na Compliance Zero: “Não obstante a ausência de qualquer envolvimento do Grupo ForGreen com os fatos investigados, e em observância às melhores práticas de governança corporativa, compliance e integridade institucional, a Green Energy Investimentos e Participações S.A. informa que já foi convocada assembleia geral extraordinária a ser realizada em 28 de maio de 2026 para deliberação a respeito da destituição imediata do Sr. Felipe Cançado Vorcaro do cargo de Presidente do Conselho de Administração.”



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