A pesquisa do instituto Real Time Big Data, divulgada hoje, é curiosa sob vários aspectos. Um dos que mais me chamou atenção, claro, foi o de Flávio Bolsonaro perder para Lula num eventual segundo turno, enquanto Ronaldo Caiado e Romeu Zema estariam tecnicamente empatados com o petista.
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Curioso porque Flávio tem 25% no cenário espontâneo, enquanto Caiado e Zema aparecem com meros 2%. Da mesma forma, o senador sustenta 31% em cenários estimulados de primeiro turno. Seus concorrentes, porém, aparecem bem, mas bem distantes mesmo, com 6% (Caiado) e 4% e 5% (Zema).
De repente, no segundo turno, Flávio ficaria 5 pontos atrás de Lula (45% x 40%), enquanto magicamente Caiado aparece numericamente empatado com o petista (43% x 43%) e Zema tecnicamente empatado, atrás apenas 3 pontos (43% c 40%).
De acordo com a pesquisa, Caiado seria a segunda opção para 8% dos eleitores de Lula e 23% para eleitores do próprio Flávio. Ao mesmo tempo, o filho do 01 é o segundo voto para 31% dos eleitores do governador de Goiás.
CEO do instituto, Bruno Soller pode alegar que o problema de Flávio Bolsonaro é a alta rejeição, mas o argumento não se sustenta, considerando que o índice de 48% é idêntico ao de Lula. Além disso, o voto antilulista é maior que o antibolsonarista.
Não bastassem as incoerências dos números, o instituto achou por bem questionar o eleitor sobre “o que achou do encontro” do presidente dos EUA com o senador do PL.
Feita de forma genérica, a pergunta gerou respostas idênticas para ambos os lados (28%), com uma maioria neutra (42%) — ou seja, pessoas que não acharam nada, porque provavelmente não tomaram conhecimento da reunião e nem do que foi tratado nela.
Na prática, fica evidente a intenção de se esvaziar o impacto do encontro. Agora, como seria se o instituto de Soller questionasse o eleitor sobre o pedido de Flávio de designar PCC e CV como organizações terroristas e da decisão de Trump de atendê-lo?
Pois é. Um pouco de boa vontade e rigor técnico seriam bem vindos.