Durante o programa Alive, apresentado por Claudio Dantas nesta quarta-feira (28), comentaristas criticaram a aprovação da PEC que reduz a jornada semanal de trabalho e extingue a escala 6×1. O debate reuniu o cientista político Paulo Kramer, a advogada Carol Sponza, o jornalista Eli Vieira e a cientista política Júlia Lucy.
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Ao comentar a tramitação da proposta no Senado, Claudio Dantas afirmou que ainda vê espaço para mudanças no texto. Segundo ele, a proposta alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho, baseada em negociação flexível entre empresas e trabalhadores, seria “o correto”.
Dantas afirmou que o principal problema da PEC é a ampliação da interferência estatal sobre relações privadas.
“Aqui a gente está tratando de intervenção estatal no mercado privado”, declarou.
O apresentador também criticou empresários que apoiaram a proposta aprovada pela Câmara.
“Eu ouvi relatos ontem de deputados sendo pressionados por empresários para aprovar essa jossa”, afirmou.
Durante o debate, Paulo Kramer disse que a esquerda conseguiu criar uma pressão eleitoral sobre parlamentares da direita ao pautar o tema da jornada de trabalho.
“A esquerda montou uma armadilha para os parlamentares de direita que são pré-candidatos à reeleição”, afirmou.
Segundo Kramer, deputados temeram desgaste eleitoral caso votassem contra a redução da jornada.
“Quem não aprovar essa medida vai ser demonizado na campanha eleitoral”, disse.
O cientista político também criticou entidades empresariais por, segundo ele, evitarem manifestações públicas contra a proposta.
“Essas nossas entidades patronais não aguentam um gato pelo rabo”, afirmou.
Kramer argumentou ainda que países que reduziram a jornada de trabalho fizeram isso após aumento consistente de produtividade.
“Um trabalhador americano produz em 15 minutos aquilo que um trabalhador brasileiro leva uma hora para produzir”, declarou.
Segundo ele, a combinação entre baixa produtividade e aumento de custos pode ampliar desemprego e informalidade.
“Eles vão perder o emprego, vão ser obrigados a cair na informalidade”, afirmou.
A advogada Carol Sponza também criticou a votação da PEC e afirmou que parlamentares favoráveis agiram por receio eleitoral.
“Essa realidade do nosso Congresso hoje é frouxa e tem medo de perder votos”, disse.
Ela afirmou que setores econômicos já enfrentam dificuldades para contratar mão de obra e alertou para aumento de custos em meio à reforma tributária e juros elevados.
“O resultado vai ser desemprego”, declarou.
Carol também mencionou dificuldades enfrentadas por empresas diante do cenário econômico atual.
“A gente está com recorde de recuperação judicial e falência”, afirmou.
O jornalista Eli Vieira comparou a aprovação da PEC ao impacto da chamada PEC das Domésticas sobre o mercado de trabalho informal.
“Vai ser uma nova PEC das Domésticas, só que para todo mundo”, afirmou.
Assista ao programa na íntegra
Segundo ele, parte do eleitorado conservador se sente frustrada com parlamentares que votam de forma diferente das pautas defendidas durante as campanhas.
“Elegem os deputados, eles vão lá e fazem o contrário do que prometeram”, declarou.
Já Júlia Lucy relatou bastidores de reuniões de frentes parlamentares e afirmou que deputados reclamaram da ausência de posicionamento público das entidades empresariais.
“Ficou absolutamente claro o medo que as entidades empresariais no Brasil tiveram de se manifestar”, disse.
A cientista política também criticou o presidente da Câmara, Hugo Motta, por pautar o tema.
“Houve uma traição do presidente da Câmara”, afirmou.
Segundo ela, parlamentares ficaram “absolutamente de mãos atadas” diante da pressão popular sobre o tema.