Cientistas desistem de cenário catastrófico do aquecimento global; Trump comemora

As tentativas científicas de prever o futuro do aquecimento global são baseadas em “cenários” hipotéticos, isto é, projeções de quanto carbono a humanidade emitirá na atmosfera. Há anos, um cenário extremo, mas implausível, tem sido usado pelo painel climático da ONU e pelo lobby alarmista climático para alimentar o frenesi em torno do tema. Agora, não mais.

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Um estudo publicado em abril pela União Europeia de Geociências deixou claro que, na próxima avaliação do painel da ONU sobre as mudanças climáticas, o cenário extremo será abandonado.

O presidente Donald Trump comemorou. “Já vai tarde! Depois de 15 anos dos democratas prometendo que a ‘mudança climática’ vai destruir o planeta, o maior comitê climático da ONU acabou de admitir que suas próprias projeções (RCP8.5) estavam erradas! Erradas! Erradas!”, postou o mandatário americano em sua rede social, Truth Social, no dia 16 de maio.

O cenário catastrófico, que de fato é conhecido pela sigla RCP8.5, tinha sido levado a sério na pesquisa climatológica especialmente a partir de 2013. Ele pressupõe um aumento extremo no uso de carvão mineral pelos países.

Se ele se concretizasse, significaria “que substituiremos o gás natural por carvão, que substituiremos energia nuclear por carvão, que substituiremos a energia eólica e solar, até que vamos escolher abandonar a gasolina para os carros e usar carvão líquido como combustível. Se isso soa ridículo, é ridículo!”, comentou Roger Pielke Jr., cientista político que contribuiu para a pesquisa do aquecimento global e já teve seus trabalhos citados pelo grupo de trabalho da ONU, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas).

Segundo o RCP8.5, as emissões de carbono da humanidade triplicariam neste século, levando a um aumento médio da temperatura da Terra de 4,4 ºC. Foi presumindo que este cenário se concretizaria que boa parte da imprensa ajudou o alarmismo, por exemplo, ao alegar em 2024 que o Brasil ficaria inabitável em 50 anos.

Mais de 100 veículos de comunicação publicaram essa manchete falsa e alguns, como a revista Exame e o jornal O Globo, tentaram apagar seus rastros ou fizeram correções silenciosas. A barrigada foi ainda pior do que apenas levar o cenário a sério, pois distorcia um único estudo que poderia, forçosamente, ser interpretado assim.

New York Times admite erro

Por que os cientistas criaram o cenário catastrófico? Climatologistas como Detlef Van Vuuren, primeiro autor do estudo de abril que e pesquisador da Universidade de Utrecht, dizem que serve para construir deliberadamente o pior futuro possível, para comparação com outros cenários. Era para ser uma hipótese sabidamente implausível. Mas não foi assim que foi usada em muitos casos.

Segundo o New York Times, “muitos estudos científicos se referiram ao RCP8.5 incorretamente como um cenário ‘rotineiro’, sugerindo que essa era a rota atual da humanidade”. O jornal fez um mea culpa por ter dado destaque à previsão mais catastrófica de um estudo, baseada no cenário, alegando que o aquecimento global prejudicaria a produção agropecuária dos Estados Unidos e levaria a um desastre econômico e muitas mortes por calor.

A revista científica Nature já tinha chamado o RCP8.5 de “cada vez mais implausível” em 2020. No estudo de abril, os 44 autores dizem que o cenário se “tornou implausível” graças às políticas climáticas e às tendências no preço da energia renovável. Isso, segundo Pielke, também está errado.

Para entender a razão, Pielke sugere uma analogia. “Quando meu filho tinha 12 anos, ele tinha 1,52m de altura. Quando ele fez 16 anos, ele chegou a 1,82m — cresceu 30 centímetros em quatro anos. Como eu tenho um diploma de matemática, senti que eu deveria criar um cenário quantitativo de seu crescimento futuro para ter certeza que ele estava bem. Fiquei alarmado. Segundo os meus cálculos, ele chegaria a três metros de altura aos 28 anos! Falei com um médico, que pediu que eu desse ao meu filho uma dieta balanceada, descanso e checkups periódicos. Fizemos tudo isso e funcionou!”



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