A defesa de Roberta Luchsinger divulgou nota nesta tarde (20) em que afirma que, em depoimento à Polícia Federal (PF), a empresária petista declarou que “nunca repassou qualquer valor” a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).
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Luchsinger e Lulinha são investigados pela PF no âmbito de apurações que envolvem Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como um dos principais lobistas no esquema do roubo dos aposentados e pensionistas.
A empresária prestou depoimento por cerca de 50 minutos. Segundo a defesa, ela reconheceu relação de amizade com Lulinha e sua esposa, mas negou qualquer vínculo financeiro entre eles.
A defesa também afirmou que Roberta admitiu ter apresentado o “Careca do INSS” a Fábio Luís em “contexto social” e disse que, após a deflagração da Operação Sem Desconto, passou a temer a exploração política do episódio, “como de fato vem ocorrendo”.
“Questionada sobre sua relação com FÁBIO LUÍS LULA DA SILVA, esclareceu que: Fábio não prestou qualquer serviço relativo à regulação de canabidiol e nem foi remunerado por isso direta ou indiretamente. Nunca repassou qualquer valor a Fábio ou a quem quer que seja”, diz o comunicado.
Roberta também negou ter viajado com Fábio Luís e Antunes, no Brasil ou no exterior. Segundo a defesa, ela afirmou que não esteve em viagem a Portugal, mas que tinha conhecimento de uma viagem de prospecção de negócios ligada ao setor de canabidiol, e que Lulinha teria sido convidado por curiosidade sobre o tema.
A PF apura movimentações financeiras envolvendo uma agência de viagens e repasses atribuídos ao “Careca do INSS”. Segundo os investigadores, há indícios de coincidência entre transferências feitas por Antunes à empresa de Luchsinger e pagamentos dela à agência.
No período investigado, o empresário teria repassado mais de R$ 1 milhão à empresária petista, enquanto ela transferiu R$ 640 mil à agência de viagens.
Ao todo, a PF identificou cinco pagamentos de R$ 300 mil feitos por Antunes a Roberta, totalizando R$ 1,5 milhão entre novembro de 2024 e março de 2025. Segundo a investigação, mensagens apreendidas citam a necessidade de nova parcela de R$ 300 mil e fazem referência a destinatário descrito como o “filho do rapaz”.
Em depoimento à corporação, um ex-funcionário do “Careca do INSS” afirmou ter ouvido do empresário que ele pagava uma “mesada” de R$ 300 mil a Lulinha.
A defesa de Luchsinger afirmou ainda, na nota, que ela prestou serviços ao “Careca do INSS” no mercado de canabidiol e que foi remunerada por isso, sustentando que não tinha conhecimento de irregularidades à época dos contratos.
Os advogados disseram também que Roberta não sabia da origem dos recursos usados na World Cannabis e acreditava se tratar de capital próprio do empresário.
A defesa afirma ainda na note que Luchsinger “tem sido alvo de verdadeira campanha difamatória” e contesta a forma como o caso vem sendo tratado. Os advogados defenderam ainda o arquivamento da investigação e afirmam que não há elementos que sustentem conduta ilícita por parte da empresária.