O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou nesta tarde (23), em entrevista ao site Metrópoles, que há limites para sátiras envolvendo integrantes da Corte. Ainda citou Romeu Zema ao dizer que o ex-governador de Minas não gostaria de ser retratado como um “boneco homossexual”.
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Ao portal, o decano explicou o pedido de inclusão do pré-candidato à Presidência no inquérito das fake news e usou um exemplo para ilustrar o que, segundo ele, configuraria ofensa.
“Se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições [sic], imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual”, disse Gilmar, que prosseguiu: “Será que não é ofensivo? Se fizermos ele roubando dinheiro no Estado, será que não é ofensivo? É correto brincar com isso? Homens públicos podem fazer isso? Só essa questão, é só isso, é isso que precisa ser avaliado”.
No começo da semana, o decano do Supremo pediu a inclusão de Zema no inquérito das fake news. O pedido foi motivado por um vídeo publicado pelo ex-governador nas redes sociais no mês passado, que retrata Gilmar e Dias Toffoli em forma de fantoches.
Na gravação, os bonecos simulam diálogos entre os magistrados. Em um trecho, o fantoche que representa Toffoli pede a suspensão de uma decisão da CPI do Crime Organizado. Em seguida, o personagem atribuído a Gilmar revoga a medida e menciona “só uma cortesia lá do teu resort que tá pago. Tô a fim de dar uma jogadinha essa semana”, em referência ao Tayayá.
O empreendimento era ligado a Toffoli e foi adquirido por um fundo ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, atualmente preso e em negociação de delação com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República.
Na notícia-crime que pede a inclusão do ex-governador no inquérito, Gilmar afirma que Zema “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”.
“Valendo-se de sofisticada edição profissional e de avançados mecanismos de ‘deep fake’, o vídeo emula vozes de ministros da Suprema Corte para travar diálogo que, além de inexistente, tem como claro intuito vulnerar a higidez desta instituição da República, com objetivo de realizar promoção pessoal”, completa o magistrado.
Teve ministro anulando quebra de sigilo da família do Toffoli, e nada melhor que esse momento pra lançar o episódio 2 da série mais amada do Brasil 🇧🇷
– Episódio 2, Os Intocáveis pic.twitter.com/IDZw0Rep1g
— Romeu Zema (@RomeuZema) March 2, 2026