O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, decidiu nesta segunda-feira (13) exonerar o presidente interino do Rioprevidência, Nicholas Cardoso, em meio ao avanço das investigações sobre a gestão de recursos do fundo previdenciário estadual.
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A decisão ocorre após recomendação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que apontou indícios de irregularidades em aportes financeiros realizados no fim de 2025.
Segundo o órgão, cerca de R$ 118 milhões foram aplicados em fundos administrados por instituições que não estavam credenciadas junto à autarquia no momento das operações.
Para o governo estadual, já foi definido um substituto. O procurador do estado Felipe Derbli de Carvalho Batista foi nomeado para assumir a presidência do Rioprevidência, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de aproximadamente 235 mil servidores e dependentes.
As aplicações sob suspeita ocorreram quando Nicholas Cardoso ainda exercia a função de diretor de investimentos do fundo. Os recursos foram distribuídos em três fundos de renda fixa no fim de dezembro de 2025, em um contexto de maior escrutínio sobre a gestão do Rioprevidência após a repercussão de investimentos anteriores ligados ao Banco Master.
Documentos técnicos e relatórios internos apontam que as operações teriam sido realizadas sem o credenciamento prévio das instituições financeiras, exigência prevista em normas do Conselho Monetário Nacional e em regras internas da própria autarquia.
O Conselho Fiscal do fundo alertou para possíveis falhas de governança e risco de exposição do patrimônio previdenciário.
Na ação apresentada à Justiça, o Ministério Público afirma que a permanência do gestor representava risco à continuidade de práticas irregulares e defende a intervenção na administração do fundo como forma de impedir novos prejuízos.
O órgão também solicitou o bloqueio de R$ 1,088 bilhão em bens de investigados, incluindo o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Antunes, o Banco Master e empresas ligadas às operações financeiras sob apuração.
Antunes está preso desde fevereiro, no âmbito das investigações que envolvem aportes anteriores do fundo em ativos considerados de alto risco.
O caso se soma a outras controvérsias envolvendo a gestão do Rioprevidência, que já havia sido alvo de questionamentos após investimentos bilionários no Banco Master.
Em nota, o Rioprevidência afirmou não ter sido formalmente notificado da ação e defendeu que os recursos envolvidos eram de natureza administrativa, vinculados à taxa de gestão, e não aos ativos destinados ao pagamento de benefícios previdenciários.
A defesa de Deivis Antunes também contestou as acusações, afirmando que todas as decisões seguiram normas de governança e foram aprovadas internamente pelas instâncias competentes.
O Ministério Público, por sua vez, sustenta que as irregularidades apontadas exigem resposta imediata para proteger o patrimônio dos servidores e pensionistas do estado.