O presidente Lula (PT) sinalizou a aliados que deve encaminhar, nos próximos dias, ao Congresso Nacional a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O movimento ocorre em meio a esforços para recompor a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). As informações são do jornal O Globo.
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Nos bastidores, integrantes do governo e lideranças parlamentares defendem que o envio da mensagem presidencial pode ajudar a reduzir o desgaste entre o Palácio do Planalto e o comando do Senado, além de evitar que a Corte permaneça desfalcada em um momento considerado sensível.
A avaliação de interlocutores é que o avanço de investigações envolvendo o chamado caso Banco Master elevou a pressão por uma definição, tanto pelo impacto político quanto pela necessidade de manter o funcionamento pleno do STF. Diante disso, auxiliares teriam aconselhado Lula a formalizar a indicação, mesmo diante de resistências ainda existentes ao nome de Messias.
A estratégia também é vista como um gesto institucional ao Senado, responsável por sabatinar e votar o indicado. Ao enviar a mensagem, o governo transfere parte da responsabilidade pela decisão à Casa, reduzindo o custo político de uma eventual rejeição.
Apesar da expectativa de avanço, ainda não há definição sobre quando a sabatina será realizada. Inicialmente, havia sinalização de que o processo poderia ficar para depois do calendário eleitoral, o que preocupa governistas diante do esvaziamento do Congresso nos meses que antecedem as eleições.
Aliados do Planalto afirmam que o ambiente para aprovação melhorou em relação ao momento do anúncio, feito no fim do ano passado. Já interlocutores próximos a Alcolumbre relatam resistência dentro do Senado, citando insatisfação com a atuação de órgãos de investigação e possíveis desgastes na relação com o Executivo.
A indicação de Messias foi anunciada por Lula após a saída antecipada do então presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, decisão que contrariou parte da cúpula do Senado, que defendia alternativas como o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Desde então, o processo ficou travado, à espera de um cenário político mais favorável.
Agora, a expectativa no governo é que um encontro entre Lula e Alcolumbre, previsto para os próximos dias, ajude a destravar a tramitação e reforce a articulação para viabilizar a indicação no Senado.