Termina hoje (06) o prazo para que o Banco de Brasília (BRB), envolvido no caso do Banco Master, apresente ao Banco Central (BC) um plano de capitalização. A exigência foi feita em janeiro, quando a autoridade determinou provisionamento de pelo menos R$ 2,6 bi no caixa da instituição.
O plano deverá contemplar alternativas para recomposição do capital, como a criação de um fundo imobiliário, a contratação de empréstimos junto ao FGC e eventual aporte do acionista controlador, o Governo do Distrito Federal (GDF).
Paralelamente, o BRB iniciou a venda de ativos como parte da estratégia para reequilibrar o balanço. A instituição precisa concluir esse processo até o fim de março, prazo para divulgação das demonstrações financeiras ao mercado. Por ter ações negociadas em bolsa, o banco é obrigado a detalhar publicamente sua situação contábil.
O BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado do Master, originadas, segundo a Polícia Federal (PF), por meio da empresa Tirreno, apontada como de fachada. Após a identificação de inconsistências, os ativos foram trocados por outros do próprio Master, que também levantam suspeitas quanto à regularidade e ao valor real.
Em depoimento à PF no ano passado, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, afirmou que as perdas podem superar os valores inicialmente estimados, considerando provisões relacionadas a créditos de difícil recuperação e ativos com possível deságio oriundos do banco de Daniel Vorcaro.
Em 2024, o BRB tentou adquirir o Master, mas a operação foi vetada pelo BC. A PF investiga indícios de fraude na venda das carteiras de crédito. À polícia, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, declarou que parte relevante dos ativos foi recuperada, mas estimou em cerca de R$ 2 bilhões o montante considerado irrecuperável.
A atual gestão do BRB busca novas fontes de recursos para absorver os prejuízos do envolvimento com o banco de Vorcaro.