O presidente Donald Trump propôs a revogação das licenças de transmissão das redes de televisão NBC e ABC. A sugestão, divulgada em sua plataforma, Truth Social, tem como fundamento a tese de uma cobertura jornalística “injusta”. Para o republicano, alguns veículos de mídia são “um braço do Partido Democrata”.
Essas manifestações ocorrem após a exibição de uma entrevista na ABC, em que o ex-governador de Nova Jersey, Chris Christie, fez críticas a Trump, o que motivou uma ameaça de investigação contra Christie e a reabertura de apurações da Comissão Federal de Comunicações (FCC) sobre a imparcialidade da mídia.
Christie declarou no programa This Week: “Donald Trump se vê como a pessoa que decide tudo e não se importa com qualquer separação. Na verdade, ele rejeita a ideia de que deva haver separação entre as investigações criminais e o líder politicamente eleito dos Estados Unidos”.
Críticas e alegações de Trump
O presidente argumentou que NBC e ABC veiculam “97% de histórias ruins”, sem especificar as fontes para tais afirmações. Ele defendeu que o “jornalismo desonesto” deveria ser “encerrado”, reiterando que as emissoras “deveriam perder as licenças por sua cobertura injusta”.
Em sua plataforma social, Trump escreveu que as redes são “simplesmente um braço do Partido Democrata e devem, de acordo com muitos, ter suas licenças revogadas pela Comissão Federal de Comunicações (FCC)”. Ele considerou a situação “uma ameaça real à nossa democracia!!!”.
As críticas partiram para a ofensa pessoal. O cabelo do âncora da ABC, Jonathan Karl, seria “absolutamente horrível”.
Repercussões, pressões e “acordos”
Em julho, a Paramount Global, controladora da CBS News, pagou US$ 16 milhões para resolver um processo movido por Trump. O litígio se referia à edição de uma entrevista da ex-vice-presidente Kamala Harris no 60 Minutes, alegando interferência eleitoral.
A ABC também fechou um acordo similar em dezembro do ano passado. Paralelamente às exortações de Trump, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) intensificou suas ações.
Sob a liderança de Brendan Carr, um apoiador do ex-presidente, a agência reabriu investigações sobre denúncias de parcialidade midiática contra ABC, NBC e CBS. Essas investigações haviam sido previamente rejeitadas pela administração anterior, nos dias finais do governo Biden, mas foram reativadas por Carr após sua posse.
Fonte: O antagonista