Uma explosão foi registrada na manhã deste domingo, 17, no centro eleitoral onde o presidente do Senado e candidato à presidência da Bolívia, Andrónico Rodríguez, votaria, no município de Entre Ríos, em Cochabamba.
A detonação ocorreu em área atrás do colégio eleitoral e não deixou feridos nem causou danos materiais, segundo autoridades locais. A votação seguiu normalmente.
A vice-ministra de Segurança Cidadã, Carola Arraya, classificou o episódio como uma tentativa de intimidação durante o pleito.
“Lamentavelmente, são formas de atentado, de amedrontamento nessa jornada eleitoral”, afirmou.
Após o incidente, Rodríguez votou. A imprensa local registrou ainda um pequeno confronto entre apoiadores e críticos do candidato, com arremesso de pedras, mas sem vítimas.
Rodríguez, ex-aliado do ex-presidente Evo Morales pelo Movimento ao Socialismo (MAS), representa esquerda no processo eleitoral boliviano. Nas pesquisas, aparece atrás dos principais candidatos de direita, Samuel Doria Medina e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga.
Quase oito milhões de cidadãos estão aptos a votar no primeiro turno, que definirá presidente, vice-presidente, 130 deputados e 36 senadores, além de nove representantes em organismos supranacionais.
Se nenhum candidato presidencial alcançar mais de 50% dos votos válidos ou pelo menos 40% com uma diferença de 10 pontos em relação ao segundo colocado, haverá segundo turno em 19 de outubro. O vencedor assumirá a presidência em 8 de novembro, para um mandato de cinco anos.
Direita favorita
A eleição presidencial deste domingo pode encerrar quase 20 anos de domínio do MAS, partido fundado por Evo Morales.
Pesquisas recentes indicam um segundo turno entre candidatos de direita. Os levantamentos mostram empate técnico entre o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, da Aliança Livre, e o empresário Samuel Doria Medina, da Aliança Unidade Nacional.
Quiroga governou o país entre 2001 e 2002 e é crítico de Morales desde os anos 1990. Ele defende reformas liberais e promete reestruturar a economia boliviana.
Já Doria Medina, multimilionário e ex-ministro, disputa a presidência pela quarta vez e promete tirar o país da crise econômica em cem dias, descrevendo-se como “o capitalista mais importante da Bolívia”.
Outros candidatos de direita, como Manfred Reyes Villa, aparecem em terceiro lugar, enquanto os representantes da esquerda estão muito atrás.
Andrónico Rodríguez, presidente do Senado e aliado histórico de Morales, soma cerca de 5,5% das intenções de voto, segundo levantamento da Ipsos-Ciesmori. Eduardo del Castillo, indicado pelo atual presidente Luis Arce, não supera 1%.
Fonte: O Antagonista