“Não toma água gelada que vai dar dor de garganta!” Quem nunca ouviu essa frase, passada de geração em geração por mães e avós zelosas em muitas famílias brasileiras? Essa crença popular, tão comum, levanta a dúvida: será que há embasamento científico para essa recomendação ou trata-se apenas de um mito? Para esclarecer, especialistas apontam que a relação entre água gelada e problemas de saúde, como dor de garganta, não é tão simples quanto parece. A ciência por trás dessa ideia revela que a temperatura da bebida, por si só, não é a vilã.
De acordo com o otorrinolaringologista Jefferson Takahara, da Santa Casa de São José dos Campos, a água gelada não causa diretamente doenças como faringite ou amidalite. O médico explica que, em condições específicas, como no inverno ou em ambientes com ar seco, as mucosas do nariz e da garganta ficam mais sensíveis e ressecadas. Nesses casos, se a região já está irritada, ingerir líquidos muito frios pode atuar como um gatilho, potencializando uma inflamação preexistente. “Não é a temperatura da água que provoca a doença, mas ela pode ser o fator que faltava para desencadear um problema em uma mucosa já comprometida”, esclarece Takahara.
Portanto, o mito de que água gelada é prejudicial não é totalmente verdadeiro, mas também não pode ser completamente descartado. A recomendação dos especialistas é manter a hidratação, independentemente da temperatura da água, e estar atento às condições do ambiente e do próprio corpo. Para pessoas com garganta sensível ou em períodos de clima seco, optar por líquidos em temperatura ambiente pode ser uma escolha mais confortável. Assim, a sabedoria popular das avós ganha um toque de ciência, mostrando que o cuidado com a saúde vai além de evitar a água gelada.
Fonte: Metrópoles