Desde 2022, o sistema de pagamentos instantâneos Pix, criado pelo Banco Central do Brasil, está sob o radar das autoridades dos Estados Unidos, conforme apontado por um relatório do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). O documento destaca preocupações com a popularização do Pix, que desde novembro de 2020 revolucionou transações financeiras no Brasil, movimentando cerca de R$ 26,4 trilhões apenas em 2024, segundo o Banco Central. A eficiência e gratuidade do sistema são vistas como uma ameaça à concorrência de empresas americanas, como operadoras de cartões e serviços como o WhatsApp Pay, levantando questões sobre barreiras comerciais.
O USTR expressa receio de que o Banco Central brasileiro, ao atuar como regulador e operador do Pix, possa criar vantagens indevidas para o sistema, potencialmente prejudicando o comércio e os investimentos dos EUA. Em 16 de julho de 2025, o órgão anunciou uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras, impulsionada por críticas do ex-presidente Donald Trump, que acusou o Brasil de afetar inovações americanas. Para a economista Cristina Helena Mello, da PUC-SP, o sucesso do Pix incomoda gigantes financeiros globais, especialmente por oferecer uma alternativa eficaz aos cartões de crédito e até ao dólar em algumas transações.
A atenção dos EUA ao Pix reflete a tensão entre a inovação brasileira e os interesses econômicos globais. Enquanto o Banco Central e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil não comentaram as menções do USTR, o caso evidencia o impacto do Pix no mercado financeiro internacional. Especialistas apontam que a investigação americana pode ser uma tentativa de pressionar por maior abertura do mercado brasileiro, mas também reconhecem que a regulação rigorosa do Banco Central foi essencial para integrar serviços como o WhatsApp Pay ao sistema financeiro nacional, garantindo conformidade com as normas de transações monetárias.
Fonte: Band News Tv