A Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), localizada em Picos, no Piauí, informou neste sábado (12) o cancelamento de uma compra de 95 toneladas de mel orgânico por um cliente dos Estados Unidos. A decisão foi motivada pela tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo presidente Donald Trump, com entrada em vigor prevista para 1º de agosto de 2025. A Casa Apis, que reúne pequenos produtores da agricultura familiar, teme que a mercadoria chegue ao destino já sob a nova taxação, o que tornaria a operação economicamente inviável.
O mel orgânico, principal produto de exportação da região, enfrenta agora um cenário de incerteza. A carga, que já estava pronta para ser enviada ao Porto do Pecém, no Ceará, a mais de 500 km de Picos, permanece encalhada. “A notícia do cancelamento foi um golpe duro. Temos uma relação de longa data com esses clientes, que até investem em nossos projetos sociais e ambientais”, lamentou Sitônio Dantas, presidente da Casa Apis. Ele destacou que os Estados Unidos consomem 80% do mel brasileiro, com o Piauí liderando as exportações nacionais em 2024.
A imposição da tarifa ameaça não apenas as finanças da cooperativa, mas também a renda de milhares de famílias que dependem da apicultura no semiárido. O setor, que se destaca pela produção sustentável e orgânica, já enfrenta desafios logísticos, como o transporte de longa distância até o porto. “Será difícil para nós, pequenos produtores, e para os consumidores americanos, que terão menos acesso ao mel orgânico de qualidade”, afirmou Dantas. A Casa Apis planejava exportar cerca de mil toneladas de mel em 2025, mas o “tarifaço” pode comprometer essa meta.
Diante do impacto, a cooperativa busca alternativas, como novos mercados na Europa e na Ásia, mas a transição não é imediata. Especialistas alertam que a tarifa pode elevar preços nos EUA e afetar outros setores brasileiros, como café e carne bovina. Enquanto isso, os produtores piauienses aguardam medidas do governo brasileiro para mitigar os prejuízos e esperam que negociações diplomáticas possam reverter ou amenizar os efeitos da taxação, preservando o sustento de comunidades que transformaram o mel no “ouro do semiárido”.
Fonte: Portal G1