Estadão desmente declarações de Barroso à The Economist

Fica exposto, também, os arbítrios praticados por Alexandre de Moraes, patrocinados pelos demais ministros da Suprema Corte, inclusive por Barroso, que preside a mais alta Casa do Judiciário brasileiro, a quem se espera alguma correção.

– Barroso afirma que os acusados pelos atentados do 8 de janeiro estão sendo processados conforme o devido processo legal. Mas, para começar, essas pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, nem sequer deveriam estar sendo julgadas pelo STF. Se estão, é só porque a Corte alterou casuisticamente sua própria jurisprudência sobre regras constitucionais, como a do foro privilegiado.

O texto do Estadão adverte para irregularidades sistêmicas praticadas por Moraes e, didaticamente, ensina a Barroso o que alguém de notório saber jurídico deveria conhecer, e, claro, aplicar.

– A revista criticou, corretamente, a derrubada arbitrária de contas de bolsonaristas na rede social X por parte do ministro Moraes, o que obviamente configura censura. Em sua resposta, Barroso diz que houve “remoção de conteúdo”. Ora, suspender uma conta numa rede social, impedindo seu dono de se manifestar ali, é muito diferente de remover apenas “conteúdo”. Isso deveria ser claro para o presidente do principal tribunal do país.

Sem parcimônia, a publicação do jornal brasileiro segue expondo contradições que tornam irrefutáveis a conclusão de parcialidade na atuação judicante da Suprema Corte do Brasil.

– The Economist questiona por que razão o julgamento de Bolsonaro e dos demais acusados de tentativa de golpe vai ocorrer numa turma do STF, e não no plenário. É uma boa pergunta, sobretudo quando se considera, como faz a revista, que dos cinco ministros dessa turma, pelo menos três deveriam se declarar suspeitos: o próprio Moraes, por constar como vítima do suposto complô golpista; Flávio Dino, que foi ministro da Justiça do presidente Lula da Silva, antípoda de Bolsonaro; e Cristiano Zanin, que foi advogado de Lula.

O artigo usa de ironia para contraditar alegações eivadas de ativismo jurídico, proferidas por Barroso.

– Para Barroso, contudo, “a regra de procedimento penal em vigor no tribunal é a de que ações penais contra altas autoridades sejam julgadas por uma das duas turmas do tribunal, e não pelo plenário” e que “mudar isso é que seria excepcional”. Ora, essa regra regimental não valia no julgamento do mensalão, por exemplo. O que não deveria mudar é a regra constitucional do foro privilegiado, mas aqui parece ter valido o princípio da “excepcionalidade”.

E a “cereja do bolo” foi a negativa do presidente do STF à afirmação da revista britânica sobre sua célebre frase “nós derrotamos Bolsonaro”. O artigo debocha, mais uma vez, e diz que houve uma “imprecisão”, já que a correta declaração de Barroso foi “nós derrotamos o bolsonarismo”.

– A título de questionar a imparcialidade do tribunal, a revista disse que Barroso declarou em 2023 que “nós derrotamos Bolsonaro”. Trata-se de uma imprecisão – a frase correta é “nós derrotamos o bolsonarismo”. Foi o bastante para que Barroso alegasse que “nunca disse” tal coisa. O truque retórico do presidente do Supremo chega a ser ofensivo à inteligência alheia. Quem quiser pode procurar o vídeo em que um animado Barroso discursa, como se estivesse num comício, dizendo “nós derrotamos o bolsonarismo”, o que deveria bastar para atestar sua parcialidade no julgamento do ex-presidente.

Na conclusão, a crônica do veículo de imprensa com sede em São Paulo se despede de forma acachapante, tornando evidente o descrédito alcançado por Barroso, Moraes e seus pares. A observação final pega no contrapé do presidente do STF ao destacar um ato falho e confessional do magistrado.

– Mas nem é preciso se dar a esse trabalho: basta ler o último parágrafo da nota de Barroso, em que ele acusa a The Economist de se alinhar “à narrativa dos que tentaram o golpe de Estado”, para saber que os réus já estão condenados.

Com informações pleno news

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