Direita quer voto aberto no Senado para enfraquecer Alcolumbre

A direita articula uma campanha para que senadores declarem publicamente seus votos na eleição para a presidência do Senado, marcada para fevereiro de 2027. Aliados de Jair Bolsonaro (PL) querem que os parlamentares revelem sua posição, embora a votação seja secreta. A estratégia busca identificar traidores e reduzir o apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP).

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A bancada do PL deve lançar oficialmente amanhã (04) a candidatura do senador Rogério Marinho (RN) ao comando da Casa. Para vencer, um candidato precisa de 41 votos, caso haja quórum completo. A partir de fevereiro do próximo ano, o PL terá 29 senadores.

Com os três parlamentares eleitos pelo Novo, que também rejeitam apoiar Alcolumbre, Marinho parte de uma base de 32 votos.

Já Alcolumbre, de acordo com o jornal O Globo, “aposta na federação União-PP e em uma aliança com PT e outras siglas da base de Lula, como PSB, PDT e Rede, além de MDB e PSD, o que lhe daria um grupo de 39 parlamentares. Os bolsonaristas, porém, tentam explorar a divisão no Centrão para minar esse apoio. O presidente do Senado obteve o aval da direção nacional da federação, mas a oposição conta com traições”.

A federação União-PP, que terá 11 senadores, está dividida. Entre os nomes resistentes a Alcolumbre estão a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP). Para tentar consolidar apoio, o presidente do Senado passou a procurar os parlamentares individualmente. Um deles foi o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), eleito senador, que ainda não anunciou seu voto.

Republicanos, Podemos e PSDB também não sinalizaram a qual grupo darão apoio. As três siglas somam nove parlamentares. Há ainda um senador sem partido: Romário (RJ).

A campanha para que os senadores revelem seus votos busca expor os indecisos. Aliados de Bolsonaro tratam a recusa em declarar publicamente a posição como sinal de apoio a Alcolumbre e incentivam suas bases a cobrar explicações dos parlamentares. Embora o voto para a presidência do Senado seja secreto, cada senador pode revelar sua escolha.

A estratégia retoma a mobilização que levou o próprio Alcolumbre ao comando da Casa, em 2019. Na ocasião, ele era considerado um nome de pouca expressão política, enquanto o favorito era Renan Calheiros (MDB-AL). Após uma mobilização de senadores que decidiram abrir o voto, Renan desistiu da candidatura durante a votação, e Alcolumbre venceu.

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