Gleisi: Mercado financeiro tem DNA do autoritarismo

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-RS) afirmou ontem (02) que o mercado financeiro tem o “DNA do autoritarismo“. A declaração foi uma crítica à reação de investidores à possibilidade de Lula (PT) se reunir com o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real que defende o tabelamento de juros.

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“Esse mercado financeiro tem o DNA do autoritarismo. Não causa estranheza que estiveram torcendo e apoiando Flávio Bolsonaro para presidente. Um de seus analistas chegou a garantir, alegremente, que o candidato ganharia e daria um estelionato eleitoral”, afirmou Gleisi nas redes sociais.

A deputada negou que a reunião estivesse organizada, mas disse que não haveria problema caso ocorresse: “Isso explica o nervosismo, apreensão, pânico, seja lá o que for, de seus agentes, pela simples notícia de que o presidente Lula poderia receber o economista André Lara Resende pra uma conversa. Membros do governo já disseram que não tem nada disso. E se tivesse, qual é o problema? Conversar sobre um tema ou uma proposta não significa encampá-la. Conversar, ouvir, é o básico da democracia, que defendemos e foi vitoriosa nas urnas”.

Gleisi também afirmou que Lula venceu as eleições “denunciando” o “tesouraço” prometido pela campanha de Flávio Bolsonaro e já deixou claro que não cometerá estelionato eleitoral. “O que quer o mercado financeiro? Que ele renegue o que prometeu?”, questionou. A deputada acrescentou que o chefe do Planalto “sempre foi responsável fiscalmente”.

“Não precisa provar ou se explicar pro mercado financeiro. Que vejam os déficits acumulados de Bolsonaro”, acrescentou a petista.

A deputada também criticou uma ala do mercado que, segundo ela, tem ligação com facções criminosas. “Sabemos que nesse mercado financeiro há de um tudo: tem a ala associada ao PCC, que a PF, a Receita Federal e o Gaeco de SP estão combatendo, tem a turma das apostas no Polymarket e da especulação e das apostas tipo rouba-monte que levaram a perdas de bilhões na segunda após a eleição. E tem gente menos aventureira”, continuou.

Para Gleisi, é legítimo que Lula converse com “gente que não está tão comprometida com essa Faria Lima”. Segundo ela, dialogar e buscar entender os problemas também são deveres do presidente. “Isso não quer dizer que ele pretenda adotar as propostas”, defendeu.

Além de Gleisi, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), também atacou o mercado financeiro. O ministro classificou como “chantagem do mercado” a pressão por medidas de ajuste fiscal no próximo mandato de Lula (PT).

A declaração ocorre em meio ao avanço da dívida pública, que passou de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB), no fim de 2022, para 82,9% em setembro, o equivalente a R$ 11,1 trilhões.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo no último dia 31, Boulos defendeu que eventuais cortes se concentrem em benefícios fiscais, supersalários do funcionalismo e emendas parlamentares, sem atingir áreas como saúde e educação.

O ministro afirmou que o Brasil concede quase R$ 600 bilhões por ano em desonerações fiscais e destina cerca de R$ 61 bilhões a emendas parlamentares. Para ele, esses valores devem entrar na discussão sobre economia de recursos.

Boulos também defendeu uma reforma no Judiciário para enfrentar os chamados supersalários. O ministro argumentou que a trajetória da dívida brasileira deve ser comparada à de outras grandes economias e rejeitou medidas que, em sua avaliação, transfiram o custo do ajuste fiscal para a população de menor renda.

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