O advogado Willer Tomaz negou irregularidades nas operações envolvendo empresas citadas em uma investigação da Polícia Federal (PF) que apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Em nota, ele detalhou os ativos da Cathedral e da Alcazar Holdings, contestou informações sobre uma conta bancária e afirmou que as viagens do parlamentar com a família foram realizadas como convidadas, sem contrapartida financeira.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
A investigação tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. O caso é um desdobramento de um inquérito da PF no Rio Grande do Sul que apura suspeitas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas esportivas. Flávio e Tomaz negam irregularidades.
Segundo a defesa do advogado, o inquérito ainda não foi disponibilizado para consulta. A nota sustenta que os registros patrimoniais das empresas são públicos e que os ativos foram declarados às autoridades fiscais.
Advogado detalha empresas e participações
Tomaz afirma que a Cathedral e a Alcazar Holdings são sociedades constituídas em Portugal, com titularidade identificada em registros públicos e informada em sua declaração de Imposto de Renda. Segundo ele, as empresas não possuem sócios ocultos, contas não declaradas ou patrimônio escondido.
De acordo com a nota, a Cathedral é a única sócia da Rede Loto, empresa autorizada pela Loterj, mas que nunca iniciou a operação de apostas. A holding também detém uma participação de 6,25% em uma aeronave vinculada ao programa de propriedade compartilhada da NetJets, adquirida em 2025.
Já a Alcazar Holdings possui um terço da Fraction 024, proprietária de uma aeronave Legacy 650. A empresa também detém a Alcazar Brasil, sócia da Carbono Cer, que, segundo o advogado, nunca entrou em operação.
Tomaz afirma que não há saldos bancários, aplicações financeiras ou investimentos no exterior além desses ativos. Ele diz ainda que a aquisição da participação na aeronave e as despesas de uso foram pagas com recursos pessoais declarados e enviados por canais oficiais de câmbio.
Defesa afirma que voos foram de lazer
A PF identificou ao menos cinco viagens internacionais realizadas em 2025 por Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, com deslocamentos para Estados Unidos, África do Sul, Portugal e França. Segundo informações atribuídas aos investigadores, documentos analisados indicariam que empresas ligadas ao advogado participaram do pagamento de passagens utilizadas pelo senador e por familiares.
Na nota, Tomaz afirma que os deslocamentos foram viagens de lazer, nas quais Flávio e seus familiares participaram como convidados dele e de sua família. Segundo o advogado, os voos foram realizados com horas de sua participação na Cathedral, e os custos foram pagos pessoalmente por ele.
“As viagens do senador Flávio Bolsonaro mencionadas no relatório foram voos de lazer, nos quais o senador e sua família estiveram como convidados do advogado e de sua família, em horas da cota da Cathedral, cujos custos foram pagos pessoalmente pelo advogado. Não houve cobrança nem contrapartida de qualquer natureza. Amizade entre famílias não é crime.”
Tomaz contesta informação sobre conta bancária
Um dos pontos da investigação envolve um e-mail que, segundo o relatório policial, indicaria que Flávio estava cadastrado como “usuário master” de uma conta no Santander vinculada à Alcazar Holdings. Em maio de 2025, uma funcionária de Tomaz teria solicitado a retirada do nome do senador do cadastro.
O advogado contesta essa interpretação. Segundo ele, o documento não se refere a uma conta da Alcazar, mas a uma conta de terceiro na qual teria ocorrido uma vinculação cadastral indevida. Tomaz afirma que a exclusão foi solicitada imediatamente e que o próprio e-mail mencionado no relatório registra o pedido.
“A divulgação em sentido contrário já é objeto de medida judicial.”
A defesa também afirma que Flávio nunca teve acesso ou poderes sobre uma conta da Alcazar e que não movimentou valores da empresa.
Flávio e advogado negam irregularidades
Flávio Bolsonaro classificou as acusações como “fake news” e afirmou que mantém uma relação de amizade com Tomaz. Em nota, o senador negou ter compartilhado conta bancária com o advogado ou com empresas ligadas a ele.
“A única relação existente entre eles é a de amizade entre as famílias e qualquer tentativa de insinuar irregularidades a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos.
Da mesma forma, o senador nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz e nenhuma de suas empresas. Toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa.
Essas insinuações não surgem por acaso. Aparecem agora, em pleno período eleitoral, com um propósito único: espalhar Fake News.”
Em outra manifestação, Tomaz criticou o vazamento de informações sobre o inquérito às vésperas do segundo turno presidencial e questionou o uso de dados obtidos após a quebra de seu sigilo telemático.
“Causa estranheza o vazamento, num domingo e a poucas horas do debate entre os candidatos à Presidência, de um suposto inquérito até então desconhecido. Trata-se do uso indevido do aparato policial com o claro propósito de requentar acusações infundadas e interferir no resultado das urnas.
A Rede Loto jamais operou como plataforma de apostas, e a Cathedral é tão somente uma holding patrimonial. Não houve circulação de recursos entre as empresas mencionadas; portanto, inexiste qualquer movimentação financeira irregular.
É igualmente inaceitável que a quebra do sigilo telemático do advogado Willer Tomaz sirva de instrumento para uma ‘pescaria probatória’ destinada a fabricar falsos escândalos com fins político-eleitorais.”
A defesa afirma confiar que, com acesso integral aos autos e garantia de contraditório, a investigação demonstrará a regularidade das operações. As alegações apresentadas pelo advogado e pelo senador são posicionamentos das defesas e não substituem a apuração dos fatos pelas autoridades.
