A Polícia Federal (PF) aponta o deputado eleito Márcio Canella (União-RJ), preso nesta manhã (15) na 8ª fase da Operação Carne e Unha, como suposto integrante de alto escalão de uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho (CV). Na investigação, ele é descrito como “patrono político” e “articulador de alto escalão” do grupo.
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Segundo a PF, Canella atuaria como intermediário entre agentes públicos, integrantes da organização criminosa e uma rede de postos de combustíveis usada para lavar dinheiro do crime organizado.
As suspeitas constam na representação enviada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na qual a corporação pediu a prisão preventiva de Canella e de outros cinco investigados, entre eles o ex-secretário da Polícia Civil do Rio Marcus Amim.
A PF afirma que o grupo mantém relações que ultrapassam disputas entre facções. Os investigadores descrevem a organização como marcada por um “ecletismo econômico e pragmatismo geopolítico que transcendem cisões faccionais” e dizem que ela criou “pontes operacionais com milícias e com o tráfico de drogas para fins de perenidade territorial e blindagem política”.
Na representação, a corporação também aponta possíveis atos de favorecimento político. “A inserção “Márcio Canella” nesse ecossistema paramilitar traduz-se em atos concretos de favorecimento e cooptação. A comprovação dessa alegação foi a nomeação de ex-vereadores sob investigação por liame miliciano ao seu quadro de secretários municipais em Belford Roxo”, afirmou a PF ao justificar o pedido de prisão.
Os investigadores também apontam Canella como possível “destinatário” de recursos provenientes de atividades criminosas. Entre os elementos citados no inquérito estão “vasto acervo de relógios de altíssimo valor, os dois veículos de luxo 0km/seminovos e às duas motocicletas de grife” apreendidos durante a investigação. Para a PF, o conjunto “converge com a hipótese criminal de lavagem de capitais”.
A corporação ainda menciona áudios divulgados pela imprensa que, segundo os investigadores, reforçam os indícios de atuação do deputado eleito “em proveito de organizações criminosas”. As gravações, na avaliação da PF, “descortinam espantoso cenário de simbiose espúria” entre um capitão da Polícia Militar e lideranças do CV.
De acordo com a representação, o policial militar “agia expressamente como canal de interlocução e intermediário dos interesses da gestão municipal chefiada por Canella”. As conclusões fazem parte dos fundamentos apresentados pela PF para solicitar as prisões e a deflagração da nova fase da operação.
