FipeZap: Aluguel sobe quase o dobro da inflação em 2026

Os preços anunciados para aluguel residencial acumularam alta de 7,11% de janeiro a setembro de 2026, quase o dobro da inflação oficial no período, de 3,95%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 12 meses, a valorização chegou a 9,13%, de acordo com o Índice FipeZAP, ante 4,58% do IPCA e 3,34% do IGP-M.

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Em setembro, o indicador de locação residencial avançou 0,52%, após alta de 0,55% em agosto. O resultado ficou abaixo do aumento de 1,04% registrado em abril e indica desaceleração dos reajustes anunciados. Ainda assim, os preços subiram em 31 das 36 cidades monitoradas.

O levantamento acompanha anúncios de apartamentos prontos em 36 cidades brasileiras, incluindo 22 capitais. O índice considera os valores pedidos para novos contratos de aluguel, não os reajustes aplicados a contratos já vigentes.

A alta dos aluguéis ocorre em um cenário de juros elevados e maior restrição ao financiamento imobiliário. Com mais dificuldade para comprar a casa própria, parte das famílias pode permanecer por mais tempo no mercado de locação, pressionando os preços quando a oferta de imóveis não acompanha a demanda.

Os aluguéis anunciados também avançam acima dos preços de venda. Em 12 meses até setembro, os imóveis residenciais à venda tiveram valorização de 5,51%, de acordo com o FipeZAP. A locação tende a responder mais rapidamente às mudanças na oferta e na procura, enquanto as negociações de compra e venda podem levar mais tempo para refletir as condições econômicas.

São Paulo registrou preço médio anunciado de R$ 65,78 por metro quadrado em setembro, o maior entre as capitais pesquisadas. Recife ficou em segundo lugar, com R$ 64,39, seguida por Belém (R$ 62,25), Rio de Janeiro (R$ 61,86) e Florianópolis (R$ 61,81).

Considerando todas as cidades da pesquisa, incluindo municípios que não são capitais, Barueri (SP) apresentou o maior valor médio de locação, de R$ 71,96 por metro quadrado.

Na capital paulista, os aluguéis acumularam alta de 4,93% em 2026 e de 6,22% em 12 meses. Apesar de o avanço anual ter ficado abaixo da média nacional, São Paulo continuou na liderança entre as capitais em preço anunciado.

O valor por metro quadrado também varia conforme o tamanho do imóvel. Na média das cidades pesquisadas, apartamentos de um dormitório registraram o maior preço anunciado, de R$ 72,68 por metro quadrado. Nos imóveis de dois dormitórios, a média foi de R$ 51,41; nos de três dormitórios, de R$ 47,22.

Fortaleza teve a maior valorização acumulada dos aluguéis em 12 meses até setembro, com alta de 16,59%. Em seguida aparecem Natal, com 16,51%, e Aracaju, com 15,52%. No Rio de Janeiro, os preços subiram 14,80%; em Vitória, 14,22%; e em Teresina, 13,68%.

Na comparação mensal, Goiânia liderou os aumentos, com avanço de 1,15% em setembro. Maceió registrou alta de 1,06%, e Florianópolis, de 1,02%.

Entre as capitais, Brasília apresentou a maior queda no mês, de 0,53%. Cuiabá recuou 0,19%, e Aracaju, 0,16%. Apesar dos recuos pontuais, houve aumento dos preços em 31 das 36 cidades incluídas no levantamento.

A rentabilidade média estimada do aluguel residencial no Brasil foi de 6,13% ao ano em setembro, segundo o FipeZAP. O indicador, conhecido como rental yield, relaciona o preço anunciado de locação ao valor de venda do imóvel e estima o retorno bruto anual do investimento.

Apartamentos de um dormitório apresentaram rendimento estimado de 6,74% ao ano, acima da média nacional. Entre as capitais, Recife teve a maior taxa, de 8,30%, seguida por Cuiabá, com 8,18%, e Belém, com 8,15%. Em São Paulo, o retorno estimado foi de 6,43%.

A rentabilidade, porém, não representa o lucro líquido do proprietário. O cálculo não desconta necessariamente despesas como manutenção, impostos, administração e períodos em que o imóvel fica desocupado. A atratividade do investimento também depende da localização, da valorização do imóvel e das condições do mercado local.



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