O banqueiro Daniel Vorcaro custeou a hospedagem do ex-senador Francisco Feitosa, conhecido como Chiquinho Feitosa, em um hotel de luxo em São Paulo, em maio de 2024, poucos dias antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar uma ação sobre a abertura de cursos de medicina. À época, Feitosa era cunhado do ministro Gilmar Mendes, relator do processo e integrante da Corte.
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Mensagens obtidas pelo jornal Estadão mostram que o advogado Ciro Soares, que representava Vorcaro, intermediou a alteração das datas da reserva. Em 22 de maio, ele encaminhou ao banqueiro um áudio com o pedido de Feitosa para antecipar a hospedagem. Vorcaro respondeu “ok” e, pouco depois, enviou diretamente ao ex-senador o comprovante da reserva.
A estadia foi no hotel Rosewood, em um quarto com duas camas king size. Segundo o levantamento publicado pelo jornal, a diária custava mais de R$ 31 mil. Ao deixar o estabelecimento, Feitosa agradeceu ao banqueiro por mensagem: “Saindo agora do hotel, foi tudo ótimo! Obrigado e bom fim de semana”.
A viagem ocorreu no período em que o STF analisava regras para a abertura de novos cursos de medicina. Vorcaro tinha investimentos em faculdades interessadas em obter autorização para oferecer essas graduações.
Em 30 de maio, após a conclusão de um dos julgamentos relacionados ao tema, Ciro Soares informou ao banqueiro que o resultado havia sido favorável. “Encerrou o julgamento da questão da Medicina!!! Vencemos”, escreveu. Na sequência, explicou que se tratava do assunto envolvendo as faculdades que estava sob relatoria de Gilmar Mendes.
O resultado, porém, não autorizou automaticamente a abertura dos cursos. A decisão estabeleceu uma regra de transição para permitir que o Ministério da Educação (MEC) analisasse processos administrativos que já estavam em estágio avançado, sem dispensar a verificação dos critérios exigidos para a autorização.
Em manifestação após a publicação da reportagem, Gilmar afirmou que não tratou do julgamento com Vorcaro, Feitosa ou as demais pessoas citadas nas mensagens. O ministro também sustentou que seu voto seguiu a posição do governo federal, favorável à exigência de chamamento público para a abertura de cursos de medicina.
Feitosa confirmou ter recebido de Vorcaro um voucher para a hospedagem, mas disse que a viagem estava relacionada a um evento beneficente destinado à arrecadação de recursos para o Hospital do Amor. Ele negou ter conversado com Gilmar sobre assuntos de interesse do banqueiro.
O episódio se soma a outros registros de proximidade entre Feitosa e Vorcaro. Como revelou o Estadão, o ex-senador negociou um contrato de R$ 500 mil mensais com o dono do Banco Master e, em conversas com ele, tratou de processos no STF e da possibilidade de reuniões com o ministro. Feitosa não é advogado e preside o diretório do Republicanos no Ceará.
O advogado Ciro Soares também aparece em outras conversas como intermediário entre os dois. Em uma delas, chegou a convidar Vorcaro para um jantar na residência de Gilmar Mendes.
