A Polícia Federal (PF) solicitou cooperação jurídica aos Estados Unidos para rastrear o destino de recursos enviados ao fundo Havengate Development Fund, utilizado no financiamento de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O pedido foi encaminhado nesta sexta-feira (9) ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), do Ministério da Justiça.
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A solicitação será formalizada por meio do Tratado de Assistência Jurídica Mútua (MLAT), instrumento que permite o compartilhamento de informações e a realização de diligências entre autoridades dos dois países em investigações criminais. O objetivo é esclarecer o caminho percorrido pelo dinheiro transferido ao exterior e identificar seus destinatários finais.
O caso integra as apurações relacionadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, e envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo informações divulgadas anteriormente, o ex-banqueiro repassou R$ 61 milhões aos produtores do longa por meio do fundo nos Estados Unidos.
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) também é investigado. A PF apura se parte dos recursos enviados ao exterior teria como destino o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos. Flávio nega irregularidades e afirma que a produção foi financiada com recursos privados.
As transferências internacionais também aparecem na colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, apontado como operador financeiro de Vorcaro. A delação foi homologada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 9 de setembro.
De acordo com as informações sobre o caso, Mineiro relatou ter executado remessas destinadas ao fundo norte-americano, mas afirmou desconhecer a destinação final dos valores. Ele teria acreditado que os recursos seriam aplicados em um empreendimento imobiliário no Texas, nos Estados Unidos, finalidade originalmente atribuída ao Havengate.
O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro. A PF busca esclarecer se o dinheiro enviado sob a justificativa de financiar o filme foi efetivamente empregado na produção e se houve outros beneficiários das operações.
Flávio Bolsonaro teria negociado com Vorcaro o envio de US$ 24 milhões para viabilizar o longa, segundo informações divulgadas pelo The Intercept Brasil. O senador nega qualquer irregularidade e já defendeu a “transparência total sobre o assunto”, afirmando que “não tem nada de errado em relação ao filme”.
O inquérito está sob responsabilidade de Mendonça no STF. Desde setembro, porém, decisões judiciais relacionadas ao caso estão paralisadas após o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, determinar o envio do material referente ao Banco Master ao próprio gabinete, em meio à crise interna no tribunal.
