O ex-banqueiro Daniel Vorcaro relata, em um áudio divulgado pela revista Veja nesta sexta-feira (9), que um auxiliar do procurador-geral da República, Paulo Gonet, demonstrou resistência ao ouvir informações sobre supostos repasses ao Instituto Lula durante as negociações para uma possível delação premiada.
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Na gravação, Vorcaro afirma que o interlocutor questionou a existência de provas para sustentar as alegações apresentadas pelos advogados. “Quando coloquei o Okamotto pra cá (na proposta de delação), na primeira vez que levei (por meio dos advogados) na PGR, ele (Ubiratan, braço-direito de Paulo Gonet) falou: ‘pelo amor de Deus, cê não tem nada disso aqui não’”, diz o ex-banqueiro.
Na sequência, ele atribui ao representante da Procuradoria o argumento de que a falta de comprovação dos pagamentos em dinheiro inviabilizaria a inclusão do relato na proposta. “Isso aqui foi em dinheiro, não consegue provar você tira tudo”, afirma Vorcaro, ao descrever o que teria ouvido durante a conversa.
Segundo a revista, o trecho menciona Ubiratan ao final, mas a revista cortou essa parte da gravação para preservar a identidade do interlocutor que cita o auxiliar da PGR.
O áudio faz parte de um conjunto de gravações e documentos obtidos pela revista, nos quais Vorcaro afirma ter destinado R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele também relata supostos repasses ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto.
A Procuradoria-Geral da República afirmou que as negociações para uma eventual colaboração premiada foram conduzidas por advogados contratados pelo investigado, sem contato direto entre Vorcaro e representantes do órgão. Em nota, a PGR declarou que as propostas apresentadas pela defesa foram recebidas nos termos em que foram elaboradas e que não houve depoimento oral do ex-banqueiro.
A Polícia Federal também negou que Vorcaro tenha prestado depoimento com o conteúdo descrito na reportagem ou entregue documentos e anexos sobre o assunto. A corporação informou que recebeu uma notícia-crime para apurar fatos relacionados à publicação.
A defesa de Vorcaro, por sua vez, declarou que não reconhece a origem, a autenticidade e a integridade dos materiais divulgados. Em nota, os advogados afirmaram que o ex-banqueiro “possui informações personalíssimas e relevantes para o caso e segue disponível para contribuir com as autoridades”.
