A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou nesta sexta-feira (9) que não reconhece a autenticidade nem confirma o conteúdo de um áudio divulgado pela revista Veja, no qual o banqueiro teria relatado tratativas para financiar um filme sobre o presidente Lula (PT). Os advogados também contestaram a divulgação de supostos documentos relacionados às negociações para uma colaboração premiada que não chegou a ser formalizada.
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Em nota assinada por Sérgio Leonardo e Engels Augusto Muniz, a defesa declarou: “A defesa de Daniel Vorcaro repudia a divulgação de supostos anexos que estariam relacionados a tratativas de colaboração premiada que não foi celebrada. A defesa não confirma o conteúdo de qualquer material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas”.
Os advogados acrescentaram que o material preliminar da colaboração teria sido disponibilizado a um grupo restrito de autoridades submetidas ao dever de confidencialidade. Também afirmaram que Vorcaro não prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nem à Procuradoria-Geral da República (PGR) durante as tratativas.
O advogado Daniel Bialski, que integra a equipe de defesa, disse à CNN Brasil que desconhece o relato divulgado pela revista. Ele afirmou que não participava da representação jurídica de Vorcaro quando foram apresentadas as propostas de colaboração e que nunca teve acesso ao disco rígido com os dados do celular do ex-banqueiro nem aos anexos mencionados na reportagem.
“Eu realmente desconheço essa história”, declarou Bialski. O advogado acrescentou que Vorcaro não prestou novo depoimento à PF ou a qualquer outro órgão sobre o assunto e afirmou que o local de prisão do cliente não permite a entrada de dispositivos eletrônicos.
A Polícia Federal também negou que Vorcaro tenha prestado depoimento com o conteúdo descrito pela Veja ou entregue documentos sobre o suposto financiamento. A corporação informou que as propostas de colaboração foram rejeitadas por não atenderem aos requisitos legais e que recebeu uma notícia-crime relacionada à publicação, encaminhada à área técnica para análise e providências investigativas.
A PGR, por sua vez, afirmou que as tratativas foram conduzidas exclusivamente por advogados e que não houve depoimento oral nem contato direto de Vorcaro com representantes do órgão. A Procuradoria também declarou que as propostas foram recebidas nos termos apresentados pela defesa, mas não avançaram.
A reportagem da Veja atribui a Vorcaro a alegação de que cerca de R$ 30 milhões teriam sido destinados, em dinheiro vivo, ao Instituto Lula para financiar um documentário sobre o presidente. Lula negou ter solicitado ou recebido vantagens financeiras relacionadas ao caso. As alegações divulgadas pela revista não foram confirmadas pelas autoridades responsáveis pelas tratativas de colaboração premiada.
