Preços globais dos alimentos atingem maior nível desde 2022

Os preços internacionais dos alimentos alcançaram em setembro o maior patamar desde novembro de 2022, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O índice global da entidade atingiu 136 pontos, alta de 1,5% em relação a agosto e de 5,8% na comparação anual.

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O avanço foi puxado principalmente por commodities agrícolas afetadas por problemas logísticos e condições climáticas adversas. O cenário inclui restrições ao transporte no Mar Negro e no estreito de Ormuz, além da preocupação com o fortalecimento do fenômeno El Niño.

Para o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, a combinação desses fatores vem ampliando a pressão sobre energia, transporte e produtos alimentícios. Segundo ele, caso o cenário persista, os efeitos podem chegar aos preços pagos pelos consumidores, especialmente em países dependentes da importação de alimentos e energia.

Açúcar e cereais lideram alta

O índice de preços do açúcar subiu 6,1% em setembro, na terceira alta mensal consecutiva. A FAO relaciona o movimento à expectativa de uma oferta global mais apertada na temporada 2026/27.

As perspectivas de produção pioraram em importantes regiões produtoras. Na Índia, a falta de chuvas preocupa, enquanto o avanço do El Niño aumenta as incertezas. Na Tailândia, a previsão de produção também foi reduzida. No Brasil, chuvas intensas no Centro-Sul afetaram o andamento da colheita.

Os cereais tiveram alta ainda mais abrangente. O índice da FAO para o grupo avançou 5,1% no mês. O trigo subiu 6,3%, influenciado pelas dificuldades logísticas no Mar Negro e pelo clima seco em áreas da América do Norte. Já o milho avançou 5,6%, diante de preocupações com a produtividade nos Estados Unidos, menor disponibilidade para exportação pelo Brasil e restrições no comércio pelo Mar Negro.

Os óleos vegetais também ficaram mais caros, com alta de 0,9%, principalmente devido ao aumento das cotações do óleo de palma. A preocupação com os efeitos do El Niño sobre a produção no Sudeste Asiático contribuiu para o movimento.

Na direção contrária, o índice de carnes caiu 1,1%, refletindo principalmente a redução dos preços de aves e suínos. O mercado europeu registrou menor demanda por carne de aves após a entrada em vigor de novas exigências de importação.

Produção mundial de cereais

Apesar da pressão sobre os preços, a FAO manteve praticamente estável sua estimativa para a produção mundial de cereais em 2026, em 2,979 bilhões de toneladas. O volume representa uma queda de 2,1% em relação ao recorde registrado no ano anterior, mas ainda seria a segunda maior safra da série histórica.

A entidade, porém, reduziu em 0,7% sua previsão para o comércio internacional de cereais no ciclo 2026/27. A revisão considera principalmente as dificuldades de transporte pelo Mar Negro e a expectativa de menores exportações de trigo e milho.

O índice da FAO ainda permanece 15,1% abaixo do recorde de março de 2022, quando chegou a 159,7 pontos em meio ao choque provocado pela guerra entre Rússia e Ucrânia.



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