Messias bate-boca com Andrei na frente de Lula por suspeita de espionagem no caso Master – Paulo Figueiredo

O advogado-geral da União, Jorge Messias, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, tiveram uma forte discussão no último dia 4 de setembro durante uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por suspeita de que o ministro da AGU estaria sendo espionado pela corporação.

De acordo com uma apuração publicada nesta quarta-feira (23) pelo UOL e confirmada pela Gazeta do Povo com pessoas próximas, Messias confrontou Andrei sobre a possibilidade de que seu telefone estaria sendo monitorado. A suspeita surgiu após um relatório de inteligência da Polícia Federal ter tido o sigilo retirado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na véspera.

O documento afirmava que a relação entre Messias e Andrei tinha “confiança agregada BAIXA”, mas terminava com a indicação de que “autoriza monitoramento e colega dirigida”.

Segundo relatos, Messias confrontou Andrei diante de Lula questionando se “você está me espionando?” e “é verdade que estão monitorando o meu telefone?”. A discussão foi descrita por interlocutores como “dura”, “tensa” e “ríspida”.

O diretor-geral da PF negou categoricamente qualquer monitoramento e, segundo relatos de pessoas próximas, classificou a reação do ministro como “chilique”, afirmando que ele deveria dar sermão na igreja, e não no Palácio do Planalto.

A relação entre os dois comandantes de seus órgãos vinha sendo construída desde julho, quando a PF pediu à AGU que contestasse decisões do ministro André Mendonça relacionadas às investigações do Banco Master, mas Messias decidiu não recorrer. A Advocacia-Geral avaliou que não tinha competência para atuar na esfera criminal e considerou que questionar as decisões poderia criar brechas para as defesas tentarem anular o processo.

O relatório da PF, porém, levantou outra hipótese para a decisão de Messias e citou uma “matriz religiosa comum” entre ele e Mendonça, além de possível interesse do ministro em preservar sua relação com o magistrado. A análise também mencionou o apoio de Mendonça à frustrada indicação de Messias para uma vaga no STF, hipótese contestada pelo ministro.

Quatro dias depois do confronto no Planalto, Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF, alegando que a inteligência da corporação havia realizado “monitoramento sistemático” e “ilícito” contra ele e Messias. Segundo a decisão, documentos de inteligência produzidos entre 3 e 31 de agosto indicavam a realização de monitoramento e coleta dirigida.

A disputa continuou após o afastamento, quando Messias apresentou recurso em favor de Andrei sem o aval do delegado. Rodrigues telefonou ao ministro e afirmou que “Você está proibido de recorrer em meu nome”.

Já Messias respondeu que “eu vou recorrer em nome do presidente da República”.

Andrei então recusou a assistência da AGU, contratou uma advogada particular e recorreu diretamente ao STF, obtendo uma decisão favorável do ministro Flávio Dino que o reintegrou ao cargo. A AGU também recorreu, desta vez ao presidente do STF, Edson Fachin, que derrubou as decisões de Dino e Mendonça e determinou que os envolvidos se manifestassem.

Crédito Gazeta do Povo

Fontes – Link Original

Classificado como 5 de 5

Compartilhe nas suas Redes Sociais

Facebook
Twitter
WhatsApp

Parceiros TV Florida