Andrei diz que PF deve enfrentar ataques não importa de onde

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Passos Rodrigues, afirmou nesta quarta-feira (23) que a corporação precisa preservar uma atuação técnica e imparcial para enfrentar ataques, independentemente de sua origem. A declaração foi feita durante a posse de Fernando Paganelli Rodrigues como novo superintendente regional da PF no Tocantins, em Palmas.

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Sem mencionar diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF) ou qualquer ministro, Andrei defendeu a autonomia da instituição e afirmou que o cenário eleitoral coloca o país diante de um período de “turbulência”.

“Hoje temos uma Polícia Federal que atua com autonomia, guiada pela Constituição Federal e pelas leis, pela responsabilidade institucional e pelo compromisso com a justiça e com a sociedade brasileira”, declarou.

Na sequência, o diretor-geral afirmou que a postura da corporação é o que permite responder a ataques sem se submeter a interesses políticos.

“É a atuação técnica, imparcial e livre de qualquer viés político que nos permite defender nossa instituição de qualquer ataque, não importa de onde venha”, disse.

A manifestação ocorre cerca de duas semanas depois de Andrei ter sido afastado do comando da PF por decisão do ministro André Mendonça, no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master. O afastamento também atingiu temporariamente o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.

Disputa no STF

Em 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento de Andrei e Almada ao apontar o que classificou como “monitoramento sistemático” realizado pela Inteligência da Polícia Federal. O ministro mencionou a existência de ao menos seis relatórios que teriam chegado à direção da corporação.

A decisão ocorreu durante uma disputa sobre a condução de investigações envolvendo o Banco Master. O episódio ganhou novos contornos depois que documentos de inteligência da PF foram divulgados no STF e passaram a ser questionados por ministros da Corte.

Mendonça sustentou que havia sido alvo de monitoramento ilegal. Andrei, por sua vez, afirmou posteriormente ao STF que os documentos eram análises produzidas no âmbito institucional da PF e negou que o trabalho pudesse ser caracterizado como monitoramento dirigido.

No dia seguinte ao afastamento, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei e Almada. Dino apontou problemas processuais e questionou a competência de Mendonça para determinar a substituição da direção da Polícia Federal naquele processo.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, posteriormente suspendeu as decisões conflitantes e determinou novas manifestações das partes. O mérito da disputa ainda não foi definitivamente analisado pelo Supremo.

“Período de turbulência”

No discurso desta quarta-feira, Andrei afirmou que a PF também está sujeita aos efeitos das disputas políticas provocadas pelo calendário eleitoral.

“O Brasil vive um período de turbulência em razão do período eleitoral e a Polícia Federal não está imune aos efeitos das disputas políticas”, afirmou.

Segundo o diretor-geral, a atuação dentro dos limites legais é o que permite à instituição manter a confiança no trabalho realizado.

“Saber que trabalhamos estritamente dentro da lei e comprometidos exclusivamente com o interesse público nos mantém confiantes de que a verdade dos fatos, que buscamos incansavelmente em nossas investigações, prevalecerá.”

Andrei também defendeu o fortalecimento das instituições e afirmou que a independência dos órgãos públicos deve estar associada ao interesse da sociedade e à preservação do Estado de Direito.

Combate ao crime organizado

Além da crise institucional, o diretor-geral destacou o combate ao crime organizado como uma das principais prioridades da Polícia Federal.

Segundo Andrei, o enfrentamento às organizações criminosas deixou de ser um desafio restrito ao Brasil e passou a exigir atuação coordenada entre governos, sociedade civil e setor privado.

“Sem segurança não há desenvolvimento, não há investimento, não há sossego para as pessoas viverem”, afirmou.

O diretor-geral também disse que a PF tem apresentado resultados expressivos desde 2023, mas evitou divulgar números por causa do período eleitoral.

“Como estamos no período de defeso eleitoral, não citarei os números, mas a Polícia Federal tem apresentado resultados grandiosos, dos quais cada um de vocês pode e deve se orgulhar.”

Novo comando no Tocantins

Fernando Paganelli Rodrigues assumiu a Superintendência Regional da PF no Tocantins no lugar de Reginaldo Donizetti Gallan Batista. Durante a cerimônia, o novo superintendente destacou a integração entre os órgãos responsáveis pela segurança pública e afirmou que a atuação deve seguir as atribuições definidas pela Constituição.



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