PF: Guga Lima criou carteiras fraudulentas repassadas pelo Master ao BRB

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O ex-sócio petista de Daniel Vorcaro, Augusto Lima, é apontado pela Polícia Federal (PF) como responsável pela elaboração de carteiras fraudulentas repassadas pelo Master ao Banco de Brasília (BRB). Segundo a corporação, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em CCBs falsas. A informação se tornou pública após a retirada do sigilo de documentos do caso Master na última semana.

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“Além de Vorcaro, Augusto Ferreira Lima participou diretamente da supervisão dos documentos relacionados à cessão de créditos Tirreno-Master-BRB. Tal participação de Augusto Lima não condiz com as versões apresentadas pelo Banco Master e pelo BRB ao Banco Central para a origem dos créditos investigados, que não explicitam haver qualquer envolvimento de sua parte nos eventos investigados”, diz a corporação em documento.

Uma auditoria citada na petição estimou em pelo menos R$ 5 bilhões o prejuízo ao banco público com a compra dos ativos. A PF também identificou pagamentos do Master à Terra Firme, empresa controlada por Lima, em períodos que, segundo os investigadores, coincidiram com sua atuação nas negociações com o BRB.

Mensagens reproduzidas no processo mostram a participação do empresário nas tratativas entre Master e BRB. Guga Lima foi preso em novembro durante a Operação Compliance Zero, ao lado de Vorcaro e outros executivos, por suspeita de envolvimento nas fraudes das carteiras. Ele foi solto 11 dias depois e passou a usar tornozeleira eletrônica.

Ligado ao PT da Bahia, Lima é conhecido como criador do Credcesta, cartão de benefício consignado com desconto das parcelas do empréstimo na folha de pagamento. Lançado para servidores públicos da Bahia em 2018, o produto foi disseminado pelo Master e chegou a 24 estados e 176 municípios.

As carteiras transferidas ao BRB eram originadas de operações de crédito consignado. O Master adquiriu os ativos da consultoria Tirreno, criada em dezembro de 2024 e contratada pelo banco de Vorcaro entre janeiro e junho de 2025. Antes disso, parte dos consignados havia sido firmada por meio de associações de servidores públicos da Bahia, posteriormente relacionadas a Lima.

A petição da PF afirma que as carteiras, a partir de janeiro de 2025, “aparentemente, passaram a ser elaboradas pelo próprio Augusto Lima”. O documento também registra que Lima e Henrique Peretto, apontado como controlador e dono da Tirreno, trocaram mensagens para participar de uma reunião com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em 28 de maio de 2025.

A PF cita ainda mensagens de Vorcaro que, segundo os investigadores, mostram que o ex-banqueiro recorria a Lima para obter recursos do BRB. A representação afirma que Vorcaro buscava a intervenção do empresário para que o banco público efetuasse pagamentos ao Master.

Os investigadores também consideraram suspeitos os repasses do Master para a Terra Firme, empresa do conglomerado controlado por Lima. Formalmente apresentados como pagamentos por serviços, os valores podem, segundo a PF, indicar desvio de recursos da instituição.

A Terra Firme da Bahia recebeu R$ 186 milhões do Master entre 2022 e 2025. Uma filial recebeu outros quase R$ 74 milhões. No documento, a PF afirma que pagamentos superiores a R$ 3 milhões feitos pelo Master “coincidem, em vários momentos, com as interferências de Augusto Lima perante o BRB” para o pagamento das carteiras.

Em 29 de agosto de 2024, segundo o documento, um funcionário identificado como Raimundo enviou a Lima uma nota da Terra Firme ao Master. Na sequência, Lima encaminhou o contato de Alberto Félix, tesoureiro do Master. A nota fiscal reproduzida no processo tinha valor de R$ 3.665.962,47.

Em 7 de abril de 2025, aparecem outras duas notas, de R$ 3.334.230,12 e R$ 3.665.962,47. Os documentos somavam R$ 7.000.192,59 em um único lote de cobranças.

A PF também identificou que o BRB já apontava problemas nas carteiras do Master em novembro de 2024. Em conversas entre o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o então diretor de finanças e controladoria, Dário Garcia, os investigadores encontraram uma carteira Credcesta com R$ 179,6 milhões de valor contábil. Desse montante, somente R$ 110 milhões foram considerados aptos, um corte de quase 40%.

Segundo a PF, o episódio já indicaria inconsistências no material enviado pelo Master. Em outro trecho, a corporação afirma que Dário, com aval de Paulo Henrique, atuou para ampliar de 4% para 5% o limite de inadimplência admitido nas carteiras. As novas compras seriam feitas em partes (tranches), sem reiniciar todo o ciclo de aprovação.

O documento tem 82 páginas e registra ao final a data de 3 de fevereiro de 2025. A assinatura digital da delegada da PF, porém, consta como registrada em 18 de fevereiro de 2026. A petição foi endereçada ao ministro do STF André Mendonça, que havia assumido a relatoria do caso Master poucos dias antes, em 12 de fevereiro.

A PF pediu no documento autorização para a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos, com o objetivo de aprofundar as investigações.



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