Onze dos 15 diretores da Polícia Federal (PF) colocaram os cargos à disposição do diretor-geral substituto, William Marcel Murad, nesta terça-feira (8), após o afastamento do diretor-geral Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
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Em manifestação conjunta, os integrantes da cúpula da corporação declararam “total apoio” a Andrei e Almada e classificaram como injustificados os ataques contra os dois delegados. O grupo também rejeitou qualquer tentativa de atribuir à PF ou aos dirigentes uma atuação “não republicana”.
“Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana. Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas. Neste ato, colocamos nossos cargos à disposição do Diretor-Geral substituto”, afirmaram.
Os diretores também criticaram o que classificaram como influência de interesses político-eleitorais sobre as críticas feitas à corporação.
“Narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais não têm o poder de apagar a história, a reputação e a trajetória profissional de quem quer que seja”, diz outro trecho da manifestação.
Segundo o grupo, Andrei tem uma trajetória marcada por atuação técnica e isenta à frente da Polícia Federal.
“Da mesma forma como a Instituição Polícia Federal tem, em sua história e feitos, a razão de sólida admiração dos brasileiros, o Dr. Andrei também conta com um percurso profissional dedicado à defesa da PF, com atuação técnica, isenta e responsável.”
Os diretores afirmaram ainda que a manifestação busca defender a instituição de ataques e de tentativas de interferência em suas atribuições.
“Assim, cumprindo nosso dever de defender a Instituição de ataques e tentativas de usurpação de funções, e assegurando o interesse público na manutenção de uma Polícia Federal capaz de promover justiça e assegurar o Estado Democrático de Direito, tornamos público nosso apoio aos diretores.”
Quem assinou
- Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor/PF)
- Fabrício Schommer Kerber, diretor de Polícia Administrativa (DPA/PF)
- Otavio Margonari Russo, diretor de Combate a Crimes Cibernéticos (DCiber/PF)
- Felipe Tavares Seixas, diretor de Cooperação Internacional (DCI/PF)
- Helena de Rezende, diretora de Gestão de Pessoas (DGP/PF)
- Roberto Reis Monteiro Neto, diretor Técnico-Científico (Ditec/PF)
- André Luis Lima Carmo, diretor de Administração e Logística (Dlog/PF)
- Christiane Correa Machado, diretora de Ensino da Academia Nacional de Polícia (Diren-ANP/PF)
- Alexsander Castro de Oliveira, diretor de Proteção à Pessoa (DPP/PF)
- Ademir Dias Cardoso Júnior, diretor de Tecnologia da Informação e Inovação (DTI/PF)
- Humberto Freire de Barros, diretor da Amazônia e Meio Ambiente (Damaz/PF)
Ao todo, 11 dos 15 diretores da PF assinaram a manifestação. Andrei e Almada não poderiam participar por terem sido afastados. Murad, que assumiu interinamente a direção-geral, também não assinou o documento.
Murad assume comando da PF
Com o afastamento de Andrei, William Murad, até então diretor-executivo da PF, assumiu interinamente o comando da corporação. Ele era o número dois da gestão e declarou apoio ao diretor afastado.
“Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vier. Reafirmamos a nossa total confiança na direção-geral e no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O momento exige serenidade, mas saberemos atravessar essa tempestade como tantas vezes o fizemos”, afirmou.
Afastamentos
Mendonça determinou nesta terça-feira o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e Leandro Almada. A decisão também determinou a abertura de procedimentos para apurar a produção de documentos de inteligência mencionados no caso.
O ministro afirmou ter identificado indícios de produção de relatórios de inteligência voltados à análise de sua própria atuação e à de outras autoridades. Mendonça também determinou a suspensão da produção, elaboração e compartilhamento de relatórios destinados a analisar atividades jurisdicionais, a advocacia pública e a atuação da polícia judiciária.
A decisão provocou uma reação imediata dentro da PF e ampliou a crise envolvendo a cúpula da corporação e o Supremo.
Na própria terça-feira, a Segunda Turma do STF formou maioria para manter o afastamento de Andrei. O julgamento, porém, foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
