O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou nesta sexta-feira (4) o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de atuar para proteger o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em meio à pressão da oposição pela análise de pedidos de impeachment contra o magistrado.
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Durante agenda em São Carlos, no interior de São Paulo, Flávio afirmou que Alcolumbre estaria mais preocupado com a própria preservação política do que com a atuação institucional do Senado.
“Eu, infelizmente, vejo que o Davi Alcolumbre está muito preocupado, assim como o Alexandre de Moraes, com a sua autoproteção”, declarou.
Na avaliação do presidenciável, o presidente do Senado errou ao priorizar a defesa de Moraes em vez de preservar a instituição.
“Eu acho que ele se equivocou ao querer proteger um amigo, ao invés de proteger a instituição, está perdendo uma grande oportunidade de resgatar a credibilidade não só do Senado, mas também devolver o Supremo ao povo, à população”, afirmou.
A declaração ocorre dois dias após Alcolumbre reagir às cobranças da oposição pela análise dos pedidos de impeachment de Moraes. Na ocasião, o presidente do Senado citou o pedido de recursos feito por Flávio ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. Agora o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou Alcolumbre.
Flávio rebateu a referência e disse não haver irregularidades relacionadas ao filme. Segundo o candidato, o episódio não se compara às relações reveladas nas investigações envolvendo o Banco Master.
“Não tem absolutamente nada a esconder, não tem nada de errado com o filme do presidente Bolsonaro”, afirmou.
Acusação de articulação
Flávio também voltou a mencionar uma reunião entre Alcolumbre e Moraes realizada na terça-feira (1º), antes de uma sessão do Senado. Segundo o candidato, o encontro teria sido seguido por uma articulação com o ministro Flávio Dino para adoção de medidas contra ele.
“Eu lamento que ele tenha feito uma reunião longa com o Alexandre de Moraes na terça-feira, pouco antes do plenário, em que parece que foi combinado alguma coisa com o Flávio Dino para tomar algumas ações ilegais contra mim”, disse.
Flávio, no entanto, não apresentou provas públicas para sustentar a afirmação de que os ministros e Alcolumbre tenham articulado medidas ilegais contra sua candidatura.
Impeachment de Moraes
O candidato voltou a responsabilizar o Senado pela ausência de avanço nos pedidos de impeachment contra Moraes. Segundo Flávio, a falta de análise das solicitações contribui para o desgaste das instituições.
“Há de se reconhecer que, se a democracia chegou tão esculhambada a esse ponto, é porque o Senado não teve oportunidade de apreciar um dos 54 [pedidos de] impeachment que existem na mesa, especificamente sobre Alexandre de Moraes, porque ele não quis pautar”, afirmou.
Alcolumbre tem sido pressionado por integrantes da oposição a dar andamento às solicitações, mas afirmou nesta semana que não há previsão para colocar um processo contra Moraes em pauta.
Flávio também defendeu uma investigação formal sobre a atuação do ministro do STF e afirmou que o Senado precisa recuperar sua capacidade de fiscalizar os demais Poderes.
“O judiciário não é isso que nós estamos vendo aí, a magistratura não é isso que nós estamos vendo aí. E é papel nosso, como senador, o nosso como pessoas públicas, de resgatar essa credibilidade, valorizar as instituições, para que a democracia volte a ser plena no nosso país”, concluiu.
As declarações foram dadas durante agenda de campanha em São Carlos, onde Flávio esteve acompanhado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), candidato à reeleição, além dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP-SP) e André do Prado (PL-SP).
