PGR fecha primeira delação com ex-dono da Reag

A Procuradoria-Geral da República (PGR) assinou nesta quarta-feira (2) um acordo de colaboração premiada com João Carlos Mansur, fundador e ex-presidente da Reag Investimentos. A delação é a primeira formalizada no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, que apura as fraudes envolvendo o Banco Master.

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Mansur apresentou aos investigadores informações sobre a atuação de Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, e sobre a movimentação dos recursos relacionados ao esquema.

O acordo foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso, que deverá avaliar a homologação da colaboração. Antes da decisão, o ministro pode realizar uma audiência para verificar se Mansur aderiu ao acordo de forma voluntária e se os requisitos previstos em lei foram cumpridos.

A homologação é necessária para que a colaboração tenha validade jurídica como meio de obtenção de prova no processo.

A proposta apresentada anteriormente pela defesa de Mansur à PGR envolvia ao menos 17 temas relacionados às investigações e previa o pagamento de uma multa de R$ 40 milhões. Com a assinatura do acordo, o conteúdo entregue pelo ex-executivo passa a integrar formalmente o conjunto de informações que poderá ser analisado pela investigação, caso a colaboração seja homologada.

Reag no centro das investigações

A Reag teve participação na estrutura financeira investigada no caso Master. A gestora administrava fundos utilizados nas operações que estão sob apuração e, segundo os investigadores, teria sido empregada para movimentar recursos retirados do sistema financeiro.

A empresa também foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero. Em outra frente de investigação, a Reag apareceu na Operação Carbono Oculto, que apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A suspeita da Polícia Federal é de que até R$ 1 bilhão tenha sido lavado por meio da instituição.

A Reag, posteriormente rebatizada como CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em janeiro de 2026. Segundo o BC, a medida ocorreu após a identificação de infrações graves às normas de funcionamento do Sistema Financeiro Nacional.

A instituição integrava o segmento S4 da regulação prudencial e possuía baixa relevância sistêmica, com menos de 0,001% dos ativos totais ajustados do mercado financeiro brasileiro.

Delação amplia pressão sobre Vorcaro

A colaboração de Mansur também altera o cenário das negociações envolvendo uma eventual delação de Daniel Vorcaro. O ex-controlador do Banco Master já havia apresentado propostas de colaboração às autoridades, mas as conversas não avançaram.

Agora, os investigadores avaliam que as informações entregues por Mansur têm relevância por detalharem a circulação dos recursos e apontarem possíveis participantes do esquema.



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