Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) confirmam a atuação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e de sua sócia, Roberta Luchsinger, em articulações envolvendo a Dataprev, estatal responsável pelo processamento de dados utilizados pelo sistema previdenciário. As informações foram reveladas pela revista Veja.
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O caso integra uma série de investigações abertas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar a atuação do grupo em diferentes órgãos e empresas públicas.
A apuração sobre a Dataprev surgiu a partir da análise das comunicações de Roberta, cujo sigilo telemático foi quebrado por determinação de Mendonça. Para os investigadores, as mensagens mostram a lobista tratando diretamente de interesses empresariais que dependiam de decisões e mudanças dentro da estrutura do governo federal.
Em uma das conversas, Roberta questiona um empresário ligado a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, sobre o andamento das articulações na estatal.
“Ta indo tudo ok na Dataprev ou preciso apertar Gabas?”, escreveu.
A referência seria a Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência Social. Na época, uma instrução normativa estabelecia restrições tecnológicas que dificultavam descontos em folha relacionados a empréstimos concedidos a aposentados.
Segundo a investigação, o grupo tinha interesse em superar esses obstáculos para facilitar negócios relacionados ao sistema previdenciário.
Inquéritos específicos
A Dataprev é apenas uma das frentes da apuração conduzida a partir das mensagens recuperadas pela PF. André Mendonça determinou a abertura de inquéritos específicos para investigar a atuação do grupo em diferentes órgãos e áreas do governo.
A medida permitiu aos investigadores aprofundar separadamente as articulações envolvendo estruturas públicas distintas, em vez de concentrar todos os fatos em uma única apuração.
Nesse contexto, as mensagens de Roberta passaram a ser analisadas para identificar como Lulinha e sua sócia utilizavam seus contatos políticos para abrir portas e pressionar agentes públicos em favor dos interesses defendidos pelo grupo.
A investigação também alcança tratativas envolvendo o Ministério da Saúde e a Telebras.
Pressão sobre agentes públicos
No caso da Dataprev, a mensagem sobre Carlos Gabas é considerada relevante porque demonstra a disposição de Roberta em acionar contatos políticos para interferir no andamento de medidas de interesse dos empresários com quem mantinha relações.
A pergunta “preciso apertar Gabas?” aparece no momento em que o grupo acompanhava as dificuldades para avançar com as operações relacionadas aos empréstimos consignados.
Para a PF, as comunicações fazem parte das evidências que sustentam a investigação por tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro.
O inquérito busca identificar quais medidas foram efetivamente tomadas, quem se beneficiaria das articulações e qual era a participação de Lulinha nas decisões.
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