Jornalista maranhense rebate acusações de Moraes e Dino

Durante o programa ALive, apresentado por Claudio Dantas no YouTube nesta quarta-feira (12), o jornalista maranhense Luís Pablo rebateu as acusações que motivaram uma investigação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Ele negou ter monitorado ou perseguido Flávio Dino e afirmou que a investigação acabou revelando sua fonte jornalística.

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A manifestação ocorre um dia após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário do Maranhão Raimundo Cutrim, apontado como fonte de Pablo, e contra o advogado Diogo Diniz Lima.

A operação foi autorizada por Moraes a pedido da PF, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo a investigação, Cutrim teria obtido informações de acesso restrito sobre veículos utilizados por Dino e seus familiares e repassado o material ao jornalista. A PF também identificou uma transferência de R$ 100 mil feita por Diogo a Pablo e apura se o valor teria relação com as reportagens publicadas sobre o ministro.

Pablo nega a acusação e afirma que o dinheiro foi um empréstimo pessoal feito pelo advogado, posteriormente devolvido.

“Eles querem fazer o link de que eu recebi dinheiro de um advogado para falar mal do ministro. Isso não tem fundamento, não tem cabimento. Em nenhum momento eles colocaram a devolução do dinheiro”, disse.

O jornalista disse ainda possuir documentos que comprovariam a devolução do valor antes da operação policial.

“Eu acho que a Polícia Federal primeiro deveria intimar para saber se eu tinha prova de que a origem foi esse dinheiro, se foi para pagar matéria ou se foi emprestado”, afirmou.

Denúncia sobre veículo

Pablo também contestou a versão apresentada pelo gabinete de Dino sobre o uso de um veículo do Tribunal de Justiça do Maranhão.

O jornalista afirmou que publicou a denúncia após receber informações sobre um dos quatro veículos SW4 mantidos pelo tribunal. Segundo ele, o automóvel que deveria atender autoridades do Judiciário estaria sendo utilizado por familiares de Dino para fins particulares.

“Eu não estou falando sobre suposição. Eu afirmei”, disse.

Pablo também criticou o fato de a investigação, segundo ele, ter avançado sobre sua fonte e suas relações pessoais sem que a denúncia original tivesse sido apurada.

“O segundo ponto é que nada do que eu denunciei foi apurado em relação ao ministro”, afirmou.

Sigilo da fonte

A identificação de Cutrim como fonte do jornalista provocou reação de entidades de imprensa. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) manifestaram preocupação com a medida e defenderam a preservação do sigilo da fonte.

Pablo afirmou que a apreensão de seus equipamentos permitiu à investigação chegar à origem das informações utilizadas em suas reportagens.

“Então, eles querem misturar minha relação pessoal, uma tratativa de negociação de particular de um terreno com reportagens que eu fiz denúncia. Isso é muito sem fundamento”, declarou.

O jornalista também criticou a apreensão de conversas que mantinha com o advogado.

“Você fazer uma consulta para um advogado, se o texto está correto juridicamente, e na hora esse advogado ser alvo de busca e apreensão. Isso é um absurdo”, afirmou.

Caso de 2017

Pablo também rebateu a forma como uma investigação criminal de 2017 vem sendo apresentada. Naquele ano, ele foi alvo da Operação Turing, da PF, que investigava um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de investigações policiais. O jornalista posteriormente foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por crimes como extorsão e organização criminosa.

Na entrevista, porém, Pablo contestou especificamente a afirmação de que teria sido preso e levado para a cadeia. Segundo ele, houve um decreto de prisão, mas ele foi conduzido à Superintendência da PF no Maranhão, prestou depoimento e teve a prisão relaxada no mesmo dia, após o próprio delegado responsável pelo pedido solicitar a medida.

“Em nenhum momento eu fui para cadeia”, afirmou.

Disputa antiga com Dino

Durante a entrevista, Pablo também afirmou que os conflitos com Flávio Dino são anteriores à investigação atual. Segundo ele, quando Dino era governador do Maranhão, ingressou com uma ação contra seu trabalho jornalístico.

“Flávio Dino já governou o estado do Maranhão. E na época que ele era governador, ele entrou com ação contra mim”, declarou.

Pablo também citou uma decisão judicial que, segundo ele, determinou a retirada de reportagens antigas publicadas em seu blog. Para o jornalista, o episódio demonstra que os embates com Dino e integrantes do Judiciário maranhense são antigos.

A assessoria do ministro, por sua vez, afirma que nunca houve uso irregular de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão e que o carro blindado foi cedido para a segurança do ministro dentro de um acordo de cooperação.

O gabinete também sustenta que Dino e seus familiares foram alvo de monitoramento clandestino e que informações sobre deslocamentos e segurança foram obtidas ilegalmente.

ASSISTA AO PROGRAMA COMPLETO:



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