O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux marcou para o próximo dia 13 uma nova audiência de conciliação sobre o acordo entre a União e o Banco de Brasília (BRB) para viabilizar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões à instituição. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (05) após um pedido do governo do Distrito Federal (DF).
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O GDF alegou haver “inércia” da União e do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no cumprimento do acordo homologado no fim de maio.
“Decorridos mais de dois meses da celebração do acordo […] não há concessão, não há recusa, não há proposta, não há indicação de condições, de cronograma ou dos elementos que o Fundo repute necessários à análise nem há pela União o cumprimento das disposições contratuais”, diz a reclamação apresentada pelo governo do DF ao Supremo.
Segundo a decisão de Fux, participarão da audiência representantes do governo do DF, do BRB, da Advocacia-Geral da União (AGU), do Ministério da Fazenda, do Banco Central, do FGC e do Ministério Público Federal.
O Banco do Brasil (BB) também deverá enviar um representante em nome do consórcio de bancos que avalia a concessão do empréstimo de até R$ 6,6 bilhões.
O governo do DF busca acelerar a contratação do financiamento para recompor o patrimônio do BRB, afetado por operações malsucedidas com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. O banco não divulga seu balanço patrimonial desde novembro de 2025, em razão da fragilidade causada pelas transações.
A crise do BRB está relacionada às negociações realizadas com o Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões, segundo dados da própria instituição. Em novembro de 2025, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias envolvendo parte dessas operações.
Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB PH Costa. Segundo a PF, ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança.
O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master adquiridos pelo banco são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Os valores são considerados “crédito podre” e podem representar um impacto significativo no patrimônio da instituição.
O governo afirma que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses créditos, mas depende do empréstimo de R$ 6,6 bilhões para completar a recomposição financeira.
O prazo de 180 dias para que o BRB executasse o plano de capitalização apresentado ao BC em fevereiro terminou nesta quarta-feira. As principais medidas previstas, porém, ainda não foram implementadas.