A defesa do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entregou há pouco à Polícia Federal (PF), por escrito, o depoimento no inquérito que apura suposta calúnia contra Lula (PT). Em nota, os advogados negaram a existência de crime e afirmaram que as declarações do senador fazem parte do debate político.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
“Os advogados sustentam que as manifestações atribuídas ao senador se inserem no contexto do debate político e dizem respeito a posicionamentos públicos e afinidades políticas amplamente discutidos no cenário nacional e internacional”, informou a defesa.
Com a entrega do documento, o depoimento presencial que estava marcado para as 14h desta terça foi cancelado. A PF agora analisará o conteúdo para decidir se haverá novas diligências na investigação.
O caso teve origem em um post feito por Flávio no X, em 3 de janeiro, após a captura e prisão do então ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, por militares dos EUA. Na postagem, o senador escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”.
Em 26 de junho, a PF encaminhou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes o relatório final do inquérito, apontando possível crime contra a honra. Em 6 de julho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu que o senador fosse ouvido para apurar se houve crime de calúnia contra Lula.
A defesa de Flávio alegou que a investigação foi concluída sem que o senador prestasse depoimento formal à PF. Os advogados também solicitaram novas diligências, entre elas o envio de ofícios à Presidência da República, ao Ministério das Relações Exteriores e a tribunais distritais dos Estados Unidos para obtenção de informações sobre Maduro.
Segundo a PGR, embora não considere necessárias todas as diligências solicitadas pela defesa, a oitiva do senador deveria ser realizada. “Remanesce a necessidade de oitiva do Sr. Flávio Nantes Bolsonaro, medida de especial relevância, sobretudo em razão da possibilidade de retratação, capaz de isentar o investigado de pena”, disse o procurador-geral da República, Paulo Gonet.