EUA citam censura como justificativa para novo tarifaço; lista de itens isentos é ampliada – Paulo Figueiredo

O governo Donald Trump confirmou nesta quarta-feira (15) que aplicará tarifas de 25% a importações de produtos do Brasil, embora a lista de exceções tenha sido ampliada.

No início de junho, quando propôs a tarifa, ao divulgar o relatório de uma investigação iniciada no ano passado sobre práticas comerciais do Brasil, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) havia recomendado que cerca de 1,5 mil produtos ficassem isentos da nova taxa.

Depois da publicação desse documento, o USTR recebeu manifestações por escrito contra e a favor do tarifaço e realizou na semana passada audiências em Washington para discutir o tema, que tiveram participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Nesta quarta-feira, o órgão do governo Donald Trump confirmou a aplicação da sobretaxa, da qual estarão isentos agora aproximadamente 2,1 mil produtos, entre eles, terras raras, café e aeronaves civis. A nova tarifa entra em vigor na próxima quarta-feira (22).

“Salvaguardar os interesses econômicos americanos contra práticas comerciais desleais é a base das políticas de ‘America First’ [América em Primeiro Lugar] do presidente Trump. Seja punindo empresas de tecnologia dos EUA por se recusarem a censurar discursos políticos, retrocedendo na aplicação de medidas anticorrupção ou permitindo que agricultores brasileiros explorem terras desmatadas ilegalmente para obter vantagem sobre os agricultores americanos, as práticas comerciais desleais do Brasil têm impedido trabalhadores e produtores dos EUA de acessar esse importante mercado de mais de 210 milhões de consumidores”, disse o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, em comunicado.

“A medida de hoje é necessária para enfrentar essas práticas comerciais desleais e garantir que trabalhadores e empresas americanos possam competir em condições de igualdade. Extensas negociações com o Brasil ao longo do último ano não resolveram essas questões, mas continuamos abertos a prosseguir com as negociações para promover mudanças há muito necessárias em relação aos problemas identificados nesta investigação”, acrescentou Greer.

O Brasil corre o risco de ser submetido a outra tarifa, já que também em junho o USTR sugeriu aplicar outra sobretaxa de 12,5% ao país e outras 59 nações, alegando falhas no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado e escravo.

No ano passado, os Estados Unidos haviam aplicado tarifas de 50% às importações do Brasil, que foram suspensas na maior parte devido à inflação dos alimentos nos EUA e a uma decisão de fevereiro da Suprema Corte americana que apontou irregularidades no tarifaço global que Trump impôs em 2025.

Crédito Gazeta do Povo

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