Os Estados Unidos e os demais países que integram o Escudo das Américas divulgaram nesta sexta-feira (5) uma declaração conjunta em apoio ao presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, e condenaram o que classificaram como esforços para derrubar o governo eleito do país. No comunicado, o grupo afirma que há uma tentativa de desestabilização política em curso e manifesta apoio às ações adotadas pela administração boliviana para enfrentar a crise.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
“Os países membros do Escudo das Américas denunciam os esforços contínuos para derrubar o governo legítimo e esmagadoramente eleito do presidente Rodrigo Paz na Bolívia”, afirma a nota.
Os signatários também saíram em defesa do governo boliviano diante dos bloqueios de estradas registrados nas últimas semanas. Segundo o comunicado, essas ações estariam comprometendo a distribuição de itens essenciais à população.
“Estamos ao lado do governo democrático de Paz enquanto ele combate as tentativas de arrastar a Bolívia para trás por meio de esforços cínicos para impedir a entrega de alimentos, remédios e outros suprimentos vitais ao povo boliviano por meio de bloqueios de estrada falsos”, diz o texto.
A declaração sustenta ainda que a vontade popular expressa nas urnas deve ser respeitada e rejeita qualquer tentativa de substituí-la por mobilizações de rua.
“O governo da multidão não pode substituir a decisão que a maioria dos bolivianos tomou nas urnas de virar a página sobre duas décadas de governos corruptos”, acrescenta o documento.
Um dos pontos mais duros da manifestação é a acusação de que parte dos protestos estaria sendo financiada por recursos oriundos do narcotráfico e do crime organizado transnacional. O grupo defendeu que os responsáveis sejam identificados e punidos.
“Aqueles que financiam esses protestos com dinheiro sujo proveniente do tráfico de drogas e do crime transnacional devem ser responsabilizados”, afirma a nota.
Ao mesmo tempo, os países integrantes do Escudo das Américas diferenciaram manifestações legítimas de ações que, segundo eles, teriam o objetivo de recuperar o poder político fora das vias democráticas.
“Aqueles que têm queixas legítimas devem aproveitar a disposição do governo para dialogar e denunciar aqueles que abusam de suas causas para retomar o poder”, prossegue o comunicado.
Além dos Estados Unidos e da Bolívia, assinaram a declaração Argentina, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trinidad e Tobago.
A nota foi divulgada um dia após o secretário da Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, também manifestar apoio ao governo boliviano. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que Washington acompanha a situação no país e rejeita tentativas de interromper o mandato de Rodrigo Paz.
“Os Estados Unidos estão observando. A Bolívia não deve permitir-se ser vítima do antigo establishment do domínio narcoterrorista na região”, escreveu Hegseth.