Trump minimiza relato de suspensão das negociações com o Irã: “Temos falado demais”

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), minimizou nesta segunda-feira (1º) as informações de que o Irã teria interrompido as negociações de paz conduzidas com mediação internacional. Ao ser questionado sobre o assunto, Trump afirmou não ter recebido qualquer comunicação oficial de Teerã e sugeriu que o excesso de declarações públicas pode estar prejudicando o processo diplomático.

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“Acho que temos falado demais, para falar a verdade. Acho que ficar em silêncio seria muito bom, e isso poderia durar muito tempo”, declarou.

As declarações foram dadas após a agência iraniana Tasnim noticiar que autoridades de Teerã decidiram suspender a troca de mensagens com mediadores responsáveis pelas tratativas com Washington. Segundo o veículo, a decisão estaria relacionada à intensificação das operações militares israelenses no Líbano, incluindo novos alertas de evacuação e bombardeios na região de Beirute.

Embora a interrupção formal das negociações ainda não tenha sido confirmada oficialmente, o governo iraniano passou a condicionar qualquer avanço nas conversas à implementação de um cessar-fogo efetivo no território libanês.

Durante entrevista coletiva nesta segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que a interrupção das hostilidades no Líbano é pré-requisito para um entendimento mais amplo.

“Insistimos que um cessar-fogo no Líbano é uma condição essencial para qualquer acordo destinado a acabar com a guerra”, disse.

Baghaei também acusou os Estados Unidos de descumprirem compromissos assumidos anteriormente e afirmou que as ações americanas ampliam a desconfiança entre os dois países.

“As violações do cessar-fogo são, por si só, indicativas de má conduta e má-fé por parte dos EUA e apenas intensificam a desconfiança existente”, declarou.

As críticas foram reforçadas pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. Em publicação na rede social X, ele afirmou que “o bloqueio naval imposto pelos EUA e a escalada dos crimes de guerra no Líbano por Israel são evidências claras do descumprimento do cessar-fogo pelos EUA”.

Apesar das divergências, o programa nuclear iraniano não integra, neste momento, o núcleo das negociações em andamento. Segundo Baghaei, o foco atual das conversas está voltado para o encerramento do conflito regional.

“Não aconteceu nenhuma negociação sobre os detalhes do dossiê nuclear. Nesta etapa, nossa prioridade é encerrar a guerra”, afirmou.

Israel amplia ofensiva no Líbano

O aumento da tensão diplomática ocorre paralelamente à ampliação das operações militares israelenses no Líbano. Também nesta segunda-feira, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciaram novos ataques contra áreas do sul de Beirute associadas ao Hezbollah.

Em comunicado conjunto, os dois justificaram a ofensiva alegando que o grupo apoiado pelo Irã continua promovendo ataques contra o território israelense.

Israel Katz afirmou que as operações continuarão enquanto persistirem ameaças vindas do Líbano. “Se não houver calma no norte, não haverá calma em Beirute”, declarou.

Horas depois, Trump afirmou ter mantido contatos com representantes de Israel e do Hezbollah para reduzir a escalada do conflito. Segundo o presidente americano, “não haverá tropas a caminho de Beirute” e ambas as partes teriam sinalizado disposição para interromper os ataques.



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