O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) comunicou ao presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, que desistiu de disputar uma vaga ao Senado nas eleições de 2026.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
A decisão foi tomada após Castro se tornar alvo de duas operações da Polícia Federal em um intervalo de 11 dias. O ex-governador deve publicar um comunicado oficial nas redes sociais sobre a retirada da pré-candidatura.
Nos bastidores do PL, aliados de Flávio Bolsonaro já consideravam a situação de Castro insustentável após a nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta terça-feira (26). Interlocutores do partido avaliavam que o desgaste poderia atingir o palanque do senador no Rio de Janeiro.
A investigação apura aplicações bilionárias do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a PF, cerca de R$ 3,7 bilhões passaram por operações relacionadas à instituição financeira.
A operação atingiu diretamente o núcleo político ligado à gestão de Castro. A PF investiga transferências realizadas pelo fundo de previdência dos servidores estaduais para investimentos considerados de alto risco.
Mensagens divulgadas durante a investigação agravaram a crise política em torno do ex-governador. Conversas atribuídas a Castro mostram agradecimentos a Daniel Vorcaro por encontros e jantares em restaurantes de luxo.
Dentro do PL, integrantes da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro passaram a defender o afastamento de Castro da disputa ao Senado para evitar associação entre os diálogos do ex-governador e os áudios já divulgados envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro do Master.
Antes da nova operação, uma ala do partido ainda defendia cautela. O grupo apostava na força política de Castro no interior fluminense e na associação de sua imagem à pauta da segurança pública.
Na quarta-feira (27), Valdemar Costa Neto chegou a afirmar que Castro continuaria como pré-candidato ao Senado caso revertesse sua inelegibilidade no Tribunal Superior Eleitoral.
O dirigente citou a popularidade do ex-governador no interior do estado e a importância dele para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no Rio.
Além das investigações envolvendo o Banco Master, Castro também foi alvo da Operação Sem Refino, deflagrada pela PF no último dia 15. A apuração investiga suposto favorecimento ao grupo Refit, apontado pela Receita Federal como um dos maiores devedores tributários do país.
Segundo a PF, o então governador teria atuado para criar um “ambiente propício” a fraudes fiscais bilionárias no setor de combustíveis. A defesa negou irregularidades.
Castro também enfrenta impedimentos jurídicos para disputar eleições. O TSE declarou o ex-governador inelegível até 2030 por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
A Corte apontou a criação de mais de 27 mil cargos comissionados irregulares, utilizados, segundo a acusação, para beneficiar sua campanha à reeleição. Castro renunciou ao cargo antes do julgamento final para evitar a cassação do mandato.