“Será nos termos do Brasil”, diz Lula sobre combate ao crime com Trump – Paulo Figueiredo

Presidente afirmou que pediu cooperação aos EUA e disse que crime organizado atua no Judiciário, Congresso e setor empresarial

O Lula afirmou hoje (12), durante o lançamento do programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, que discutiu cooperação internacional contra facções criminosas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas disse que qualquer parceria ocorrerá “em consonância” com as decisões do governo brasileiro e da Polícia Federal.

“Eu disse ao presidente Trump: se você quiser colaborar, tem espaço para você participar conosco no combate ao crime organizado, à lavagem de dinheiro e ao contrabando de armas nas fronteiras. Agora, vai trabalhar em consonância com aquilo que é a decisão do governo e da polícia brasileira”, declarou Lula no Palácio do Planalto.

Durante o discurso, o presidente afirmou que também cobrou maior atuação dos Estados Unidos contra integrantes do crime organizado que estariam no território americano.

“Eu disse ao presidente Trump: se você quiser combater o crime organizado de verdade, você tem que começar a entregar alguns nomes que estão morando em Miami”, afirmou.

Lula disse que levou propostas por escrito ao presidente americano durante a reunião realizada na última quinta-feira, na Casa Branca.

“Cada vez que eu converso com o presidente Trump, eu faço questão de entregar por escrito aquilo que nós falamos, para depois a gente mostrar para a imprensa, se for necessário, para não ficar o diz que diz”, disse.

O petista também afirmou que o crime organizado está infiltrado em diferentes setores da sociedade.

“Muitas vezes ele está no meio empresarial, muitas vezes ele está no Poder Judiciário, muitas vezes ele está no Congresso Nacional, muitas vezes ele está no futebol”, declarou.

Em outro trecho, Lula disse que facções criminosas não estão restritas às comunidades pobres.

“O crime organizado é outra coisa poderosa, que muitas vezes a polícia olha para a favela, mas ele está no 15º andar de um apartamento, olhando do apartamento de cobertura a ação da polícia”, afirmou.

O presidente também relatou reclamações de governadores e policiais sobre decisões judiciais envolvendo presos.

“Há muita queixa de governadores, que muitas vezes a polícia prende os bandidos e uma semana depois esse bandido está solto”, disse.

Segundo Lula, o tema precisará ser discutido com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

“Temos que colocar na mesa para discutir com o Conselho Nacional de Justiça, para ver se a gente consegue colocar também o Poder Judiciário em harmonia com essa tese que nós estamos aprovando aqui hoje de combater o crime organizado”, declarou.

Durante o evento, Lula também afirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC da Segurança no Senado.

“O dia que o Senado aprovar a PEC da Segurança, nos próximos dias nós criaremos o Ministério da Segurança Pública nesse país”, disse.

O programa “Brasil Contra o Crime Organizado” prevê investimento direto de R$ 1,06 bilhão no Orçamento de 2026 e linha de crédito de R$ 10 bilhões via BNDES para estados, municípios e Distrito Federal aderirem às ações.

O plano foi estruturado em quatro eixos: asfixia financeira das facções, reforço do sistema prisional, qualificação das investigações de homicídios e combate ao tráfico de armas e explosivos.

O lançamento ocorreu no Palácio do Planalto, com presença do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não participou da cerimônia.

Crédito Claudio Dantas

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